O consumo intenso de bebidas alcoólicas típico das celebrações de fim de ano vem sendo associado a uma arritmia conhecida como síndrome do coração festeiro (holiday heart syndrome), segundo cardiologistas do Hospital Israelita Albert Einstein.
O que é a síndrome
A condição ocorre quando a ingestão excessiva e prolongada de álcool desencadeia fibrilação atrial, ritmo cardíaco em que os átrios tremem de forma desorganizada e os ventrículos passam a bater de maneira irregular. O quadro pode causar palpitações, cansaço e falta de ar, sintomas que surgem ainda durante a embriaguez ou horas depois.
“Não é um único drinque que leva à síndrome; é necessário um grau elevado de embriaguez”, explica o cardiologista Guilherme Drummond Fenelon Costa.
Como o álcool afeta o organismo
A intoxicação alcoólica reduz o pH sanguíneo e causa desidratação. Esses efeitos, somados a privação de sono e perda de eletrólitos, aumentam o risco de arritmia. Embora a fibrilação atrial muitas vezes desapareça espontaneamente em até 48 horas, a recorrência permanece possível sem avaliação médica.
Evidências científicas
A síndrome foi descrita pela primeira vez em 1978, no American Heart Journal. Em fevereiro de 2025, uma revisão de 11 estudos publicada na revista Cureus concluiu que o binge drinking (cinco ou mais doses em curto período) é um gatilho consistente para fibrilação atrial. “Mesmo em jovens saudáveis, a exposição aguda ao álcool alterou o sistema nervoso autônomo e aumentou a frequência cardíaca”, afirma o pesquisador Jhiamluka Zservando Solano Velasquez, da Universidade de Oxford.
Prevalência do consumo abusivo
Dados da 3ª edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado pela Unifesp em setembro de 2024, apontam que brasileiros ingerem em média 5,3 doses por ocasião. Cerca de 24 milhões de pessoas relataram consumo excessivo no ano passado, o equivalente a 14,2% da população adulta.
Imagem: Internet
Quem corre mais risco
A arritmia é mais frequente após os 60 anos e em portadores de doenças cardiovasculares, como cardiomegalia, infarto, hipertensão e aterosclerose. Pacientes que já tiveram fibrilação atrial podem apresentar novos episódios independentemente do álcool.
Orientações para as festas
Para reduzir riscos, especialistas recomendam espaçar as doses, hidratar-se, realizar refeições leves e garantir boas noites de sono. “Equilíbrio é a palavra-chave”, reforça Costa.
Com informações de Folha de S.Paulo





