SUS no Paraná oferece próteses faciais que reproduzem tom de pele, olhos e até manchas

O Hospital de Reabilitação do Paraná, em Curitiba, realiza desde 2020 a confecção e entrega de próteses faciais de silicone totalmente custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço, pioneiro no estado, já contabiliza 1.500 atendimentos e cerca de 200 dispositivos entregues.

Idealizado pela cirurgiã-dentista Roberta Stramandinoli Zanicotti, o Ambulatório de Prótese Facial Reconstrutiva reproduz no silicone o tom de pele, a cor da íris e até manchas faciais dos pacientes. “É a mesma qualidade que ofereço em consultório particular”, afirma a profissional, que atua ao lado da colega Camila Paloma.

Pacientes e demandas

Cerca de 70% dos atendidos perderam partes do rosto por consequência de câncer e de seu tratamento; os demais sofreram traumas em acidentes. Em clínicas privadas, cada prótese facial custa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.

Entre os beneficiados está Marli Borges dos Santos, 59, moradora de Irati (PR), que teve o nariz amputado após um câncer agressivo. Sete anos depois da cirurgia, ela recebeu a prótese na capital paranaense. “Voltei a andar na rua sem que as pessoas fiquem me olhando”, relata.

Outro usuário do serviço é o assessor parlamentar Cristiano Teodoro Ribeiro, 47, que perdeu quase toda a arcada dentária superior ao retirar um tumor em 2019. Ele aguarda adaptação completa ao novo dispositivo e passa por sessões de fonoaudiologia para melhorar a fala.

Técnica e equipe reduzida

Os moldes das próteses são produzidos a partir de tomografias computadorizadas transformadas em modelos 3D, tecnologia desenvolvida em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Segundo Zanicotti, o Brasil conta com apenas 78 especialistas em prótese bucomaxilofacial; em Curitiba, são três.

O diretor-geral da Secretaria de Saúde do Paraná, César Neves, destaca que o ambulatório é um dos poucos do país dentro de um hospital de reabilitação e que oferece acompanhamento multidisciplinar, incluindo psicologia, fisioterapia e fonoaudiologia.

O projeto recebe apoio da associação civil Umane, focada na promoção da saúde pública.

Com informações de Folha de S.Paulo

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