Controle da glicose na pré-diabetes reduz risco de morte cardíaca em 50%, mostra pesquisa

Pessoas diagnosticadas com pré-diabetes que conseguiram restabelecer a glicose a níveis considerados normais apresentaram uma redução de 50% no risco de morte por doença cardiovascular ou de hospitalização por insuficiência cardíaca, segundo estudo publicado na revista Lancet Diabetes & Endocrinology.

A análise reuniu dados de longo prazo de dois grandes ensaios clínicos. O principal deles, o Diabetes Prevention Program (DPP), realizado nos Estados Unidos entre 1996 e 2001, acompanhou voluntários com pré-diabetes submetidos a três estratégias: um programa intensivo de dieta e atividade física, tratamento com metformina ou placebo. Após um ano, 11% dos participantes haviam normalizado a glicemia, independentemente da intervenção adotada.

Duas décadas depois, esse grupo que alcançou remissão exibiu risco 50% menor de morte cardiovascular ou de internação por insuficiência cardíaca em comparação com quem permaneceu em faixa pré-diabética, mesmo após ajustes para fatores como eventual progressão para diabetes tipo 2.

Confirmação em estudo chinês

Para validar o resultado, os autores revisaram dados de um estudo semelhante conduzido na China. Lá, 13% dos voluntários restabeleceram a glicose em até seis anos; 30 anos mais tarde, registraram 51% menos eventos fatais ou internações por doença cardíaca que os demais participantes.

Efeito duradouro de curto período

Especialistas que não participaram da pesquisa, como a epidemiologista Elizabeth Selvin, da Universidade Johns Hopkins, destacam que o achado reforça a importância de tratar o pré-diabetes como condição de risco real, não apenas como estágio intermediário. Já Latha Palaniappan, da Stanford Medicine, classificou o resultado como “esperançoso”, pela magnitude do benefício duas décadas depois da intervenção inicial.

Desafios e perspectivas

Apesar da evidência positiva, apenas uma minoria dos voluntários atingiu a meta glicêmica nos estudos americanos e chinês. A endocrinologista Judy Regensteiner, da Universidade do Colorado, questiona como ampliar esse sucesso na prática clínica. Pesquisadores observam que medicamentos mais recentes, como os agonistas do receptor GLP-1, ainda não faziam parte do arsenal terapêutico na época em que os estudos foram iniciados.

Reduzir a glicemia é apenas um dos componentes para proteger o coração, alertam os autores: manter peso saudável, alimentação equilibrada e exercício regular continua essencial.

Com informações de Folha de S.Paulo

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