NOVA YORK (EUA) – O universitário Sam Terblanche, 20, morreu no dormitório da Universidade Columbia em 21 de setembro de 2023, dois dias depois de ter sido atendido e liberado duas vezes pelo pronto-socorro do hospital Mount Sinai Morningside com o diagnóstico de “síndrome viral aguda”.
Atendimentos sucessivos
No domingo, 17 de setembro, o estudante procurou o serviço de emergência com dor de cabeça e calafrios. Testes para gripe, covid-19 e vírus sincicial respiratório deram negativo; ele recebeu medicação para dor e náusea e teve alta.
Na noite seguinte, 18 de setembro, voltou ao hospital sentindo-se pior. Apresentava febre de 38,1 °C, frequência cardíaca de 126 batimentos por minuto, tosse e dificuldade para caminhar sem ficar ofegante. Um alerta automático de sepse foi acionado no prontuário eletrônico, mas os médicos concluíram que a condição era improvável. Sem radiografia de tórax nem antibióticos, Sam recebeu hidratação venosa, orientação para tomar ibuprofeno e, novamente, foi liberado.
Morte no campus
Isolado no quarto para evitar transmitir o suposto vírus a colegas, o estudante manteve contato por mensagens com familiares e amigos até a noite de 20 de setembro. No dia 21, seguranças da universidade encontraram o corpo. O laudo do IML apontou “hemorragia pulmonar de causa indefinida” como motivo da morte e não confirmou sepse.
Revisão interna e processo
Dois meses após o óbito, o pai do aluno, o advogado Villiers Terblanche, reuniu-se com a diretora-médica do hospital, Tracy Breen, que informou ter havido revisão interna e considerou a alta “adequada”. Insatisfeito, Terblanche ingressou com ação em agosto de 2024 contra o Mount Sinai Morningside e cinco médicos, alegando negligência médica e homicídio culposo. O hospital manifestou condolências, mas declarou que não comentaria o caso.
Contexto dos serviços de emergência
De acordo com dados citados no processo, os prontos-socorros dos Estados Unidos registraram 155 milhões de atendimentos em 2022, ante 130 milhões em 2018. Estudo revisado mencionado no caso aponta que 5,7 % dos pacientes recebem algum erro diagnóstico; 0,3 % sofrem dano grave.
Imagem: Internet
No Mount Sinai Morningside, relatos indicam falta de pessoal de enfermagem em 2023, o que levou, em fevereiro de 2024, a arbitragem favorável que concedeu quase US$ 1 milhão em compensação a enfermeiros sindicalizados. Na mesma época, o hospital recebeu nota “C” em segurança pelo Leapfrog Group.
Pontos em disputa
A ação judicial discute se o hospital seguiu o “padrão de atendimento” ao:
- ignorar o alerta eletrônico de sepse;
- não solicitar radiografia de tórax ou antibióticos;
- registrar informações contraditórias no prontuário;
- dar alta a um paciente que retornara em menos de 24 h com piora dos sintomas.
Os médicos depõem desde janeiro de 2025. O julgamento ainda não tem data marcada.
Com informações de Folha de S.Paulo





