Nova York alcança maior número de casos de gripe em 20 anos

Sinais de uma temporada de gripe intensa tomaram conta de Nova York: máscaras voltaram a aparecer nas ruas, tosses se multiplicaram no metrô, escolas fecharam e eventos esportivos registraram ausências por doença. Dados preliminares indicam que a cidade enfrenta o maior surto de gripe em duas décadas.

O sistema de vigilância sindrômica municipal contabilizou 9.857 visitas a prontos-socorros por síndrome gripal na semana encerrada em 20 de dezembro, número superior aos piores picos das temporadas de 2017-2018 e 2024-2025.

No mesmo período, exames laboratoriais confirmaram 32.239 casos de gripe na capital — mais da metade em crianças — superando o recorde de 23.308 infecções registrado na temporada 2024-2025.

Em todo o estado, foram notificados 71.123 casos na semana até 20 de dezembro, o maior patamar desde 2004, quando o método atual de registro foi implantado. Desde o início da temporada, já são 189.312 casos estaduais.

Especialistas atribuem parte do salto à ampliação dos testes, que captura uma fatia maior das infecções. Ainda assim, a atual temporada começou cerca de um mês antes do habitual e coloca Nova York e arredores entre as regiões com maior atividade gripal do país, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A variante predominante, H3N2, apresenta mutações que podem driblar o sistema imunológico, o que pode reduzir a eficácia da vacina. Dados iniciais, porém, indicam menor risco de hospitalização entre pessoas vacinadas.

Autoridades de saúde afirmam que a cepa não é mais virulenta que em outros anos. “Até o momento não há indício de maior gravidade”, afirma Cadence Acquaviva, porta-voz do Departamento de Saúde do Estado de Nova York.

Nos prontos-socorros, médicos relatam aumento de sintomas gastrointestinais — náusea, vômito e diarreia — associados à gripe. “Estamos vendo muitos quadros desse tipo”, diz Frederick Davis, vice-diretor de medicina de emergência do Long Island Jewish Medical Center, onde o volume diário subiu de 250 para até 290 atendimentos.

As internações por gripe no estado saltaram de 2.251 para 3.666 na última semana medida. A maioria dos pacientes hospitalizados tem doenças pré-existentes, sobretudo cardíacas, ou é idosa e apresenta fraqueza acentuada.

Epidemiologistas alertam que o pico ainda não foi alcançado. “Ainda estamos em ascensão”, afirma Caitlin Rivers, da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins.

Com informações de Folha de S.Paulo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Mais destaques

Posts relacionados