Um levantamento realizado no Brasil concluiu que transplantes de medula óssea obtidos de parentes parcialmente compatíveis, conhecidos como haploidênticos, apresentam segurança e eficácia equivalentes aos realizados com doadores não aparentados 100% compatíveis (MUD, na sigla em inglês).
Os dados foram divulgados durante o encontro anual da Sociedade Americana de Hematologia (ASH), realizado de 6 a 9 de dezembro em Orlando, nos Estados Unidos.
O trabalho foi conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) e teve validação do Centro Internacional de Transplante de Medula Óssea (CIBMTR).
Metodologia
Foram analisados 501 pacientes adultos com leucemia mieloide aguda (LMA) ou leucemia linfoblástica aguda (LLA) em remissão completa no momento do procedimento. Eles passaram por transplante entre 2018 e 2021 em 21 hospitais brasileiros.
Do total, 335 receptores (66,8%) receberam medula de doadores familiares parcialmente compatíveis e 166 (33,2%) foram tratados com medula de doadores não aparentados totalmente compatíveis. O acompanhamento mediano foi de 26 meses.
Resultados
Após dois anos, não foram identificadas diferenças clinicamente relevantes em taxas de sobrevida global, reincidência da doença ou toxicidades entre os grupos haploidêntico e MUD.
“O estudo comprova que o transplante com doador metade compatível é factível, eficaz e seguro”, afirmou a hematologista Mariana Kerbauy, líder da pesquisa e médica do Einstein.
Imagem: Internet
Contexto brasileiro
Segundo Kerbauy, a miscigenação no país dificulta encontrar doadores 100% compatíveis nos registros nacionais. A possibilidade de usar um parente parcialmente compatível amplia o acesso ao tratamento, já que a maioria dos pacientes possui ao menos um familiar com 50% de compatibilidade.
O estudo também considerou particularidades locais, como maior prevalência de infecções como citomegalovírus, Doença de Chagas e toxoplasmose, fatores que poderiam interferir nos resultados.
As conclusões reforçam evidências internacionais e podem orientar protocolos de transplante em centros brasileiros.
Com informações de Folha de S.Paulo





