Genebra – O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, embarca neste sábado (9) para as Ilhas Canárias, na Espanha, onde supervisionará a retirada dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus.
Situação a bordo
O navio, que iniciou viagem em 1º de abril em Ushuaia, no extremo sul da Argentina, transporta cerca de 150 pessoas de mais de 20 países. Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, não há atualmente passageiros ou tripulantes com sintomas a bordo.
Casos confirmados
Boletim divulgado pela OMS nesta sexta-feira (8) aponta oito casos, seis deles confirmados laboratorialmente como infecção pelo vírus dos Andes (ANDV). Três pessoas — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram, resultando em taxa de letalidade de 38%. Outros dois casos são classificados como prováveis.
Quatro pacientes permanecem hospitalizados: um em unidade de terapia intensiva em Joanesburgo (África do Sul), dois em hospitais diferentes nos Países Baixos e outro em Zurique (Suíça).
Chegada a Tenerife e voos especiais
O MV Hondius navega em direção a Tenerife, com previsão de ancoragem no domingo (10). Na mesma data estão programados voos especiais para repatriar passageiros e tripulantes. Tedros acompanhará os ministros espanhóis da Saúde e do Interior na aplicação do protocolo de emergência.
Autoridades das Canárias informaram que a operação deve ocorrer entre o meio-dia de domingo e a mudança das condições meteorológicas prevista para segunda-feira (11). Caso o cronograma não seja cumprido, o navio terá de deixar a área, pois possui permissão apenas para ancorar, não para atracar.
O governo dos Estados Unidos já organiza um voo dedicado à retirada de seus cidadãos.
Imagem: Internet
Investigações e rastreamento de contatos
Agências de saúde em vários países buscam pessoas que tiveram contato com os casos confirmados para isolamento e testagem. A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido monitora um britânico em Tristão da Cunha, ilha remota onde o Hondius fez escala, classificado como caso suspeito.
A ONU aponta que o primeiro contágio ocorreu antes do embarque: um holandês de 70 anos apresentou sintomas em 6 de abril após viajar por Chile, Uruguai e Argentina. Autoridades na província argentina da Terra do Fogo consideram “praticamente nula” a hipótese de infecção em Ushuaia.
O hantavírus é endêmico em regiões andinas da Argentina, que registram cerca de 30 casos anuais.
Com informações de Folha de S.Paulo





