Um estudo liderado por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificou um padrão global que determina se microrganismos adotam estratégias de “faz-tudo” ou de especialistas. A pesquisa, coordenada pelo biólogo Hugo Sarmento, foi publicada recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Os autores analisaram dados de metagenômica — técnica que recompõe o DNA ambiental sem necessidade de cultivo em laboratório — para mapear genes ligados à digestão de diferentes tipos de carboidratos. O objetivo era medir a versatilidade metabólica de cada micróbio e compará-la à oferta de nutrientes em quatro ecossistemas contrastantes: água oceânica, água doce, solo e trato intestinal humano.
Os ambientes foram dispostos em uma escala de disponibilidade de recursos, do mais pobre ao mais rico. O oceano, classificado como oligotrófico, revelou comunidades dominadas por organismos altamente especializados, cada um apto a processar poucos tipos de açúcar. Em contraste, o intestino humano, considerado abundante em nutrientes, abrigou populações de bactérias generalistas, capazes de metabolizar ampla variedade de moléculas sem que a competição inviabilize a sobrevivência.
Segundo o artigo, a combinação de apenas duas variáveis — quantidade de recursos disponíveis e amplitude metabólica dos microrganismos — foi suficiente para explicar a distribuição de nichos nesses ecossistemas. A ferramenta de análise desenvolvida pelos pesquisadores pode agora ser aplicada a outros ambientes, ampliando o entendimento sobre a organização de comunidades microbianas.
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Com informações de Folha de S.Paulo





