Tenerife (Espanha) – A aproximação do navio de cruzeiro MV Hondius ao arquipélago das Canárias desencadeou protestos e preocupação entre moradores e trabalhadores portuários. A embarcação, que deixou Cabo Verde após registrar um surto de hantavírus, deve ancorar em alto-mar neste fim de semana, e seus passageiros serão levados em lanchas até o porto industrial de Granadilla, no sudeste da ilha.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados cinco casos de infecção a bordo, com três mortes. Outros três passageiros já haviam sido evacuados em Cabo Verde. Ao todo, 14 espanhóis estão entre os viajantes.
Protestos e reivindicações
Na sexta-feira (8), trabalhadores portuários reuniram-se diante do parlamento regional, em Santa Cruz de Tenerife, exigindo garantias sanitárias. Munidos de apitos, vuvuzelas e faixas, eles cobraram informações claras sobre o desembarque. Representante do sindicato local, Joana Batista afirmou que colegas podem bloquear a operação caso “medidas especiais” não sejam adotadas.
Moradores também expressaram descontentamento. A nutricionista María de la Luz Sedeño classificou a decisão do governo espanhol de autorizar a chegada como “gota d’água”, citando o fluxo contínuo de migrantes que alcançam as ilhas em embarcações precárias.
Plano de desembarque
O governo central, comandado pelos socialistas, confirmou que não haverá atracação direta em Tenerife. Após o transbordo para Granadilla, passageiros estrangeiros serão repatriados; já os 14 espanhóis seguirão para Madri, onde ficarão em quarentena. A chefe da proteção civil, Virginia Barcones, declarou que a população local “estará absolutamente e completamente protegida”.
As explicações acalmaram parte dos residentes. A aposentada Marialaina Retina Fernández disse confiar na rede de saúde da ilha, ainda que considere o episódio “longe do ideal”.
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Contexto político e lembrança da Covid-19
A autorização provocou críticas do presidente regional, Fernando Clavijo, e motivou o partido de extrema-direita Vox a comparar o caso ao desembarque de migrantes irregulares. Governo e OMS rechaçam paralelos com a pandemia de Covid-19, embora o episódio relembre o primeiro caso espanhol, detectado em 2020 na ilha vizinha de La Gomera.
Enquanto isso, organizações humanitárias apontam que mais de 3 mil pessoas morreram em 2025 tentando chegar às Canárias. O papa Leão XIII tem visita marcada à região em junho para se reunir com migrantes e entidades de apoio.
O MV Hondius, de bandeira holandesa, não recebeu permissão para atracar em Cabo Verde e segue viagem sob monitoramento internacional. A chegada a Tenerife permanece confirmada para este fim de semana, condicionada ao protocolo sanitário acordado entre Madri e a OMS.
Com informações de Folha de S.Paulo





