Três passageiros morreram e pelo menos outras cinco pessoas adoeceram após um surto de hantavírus a bordo do cruzeiro holandês MV Hondius, que navega pelo Atlântico. O episódio reavivou memórias da pandemia de Covid-19 e desencadeou debates sobre possíveis restrições sanitárias.
A embarcação, que deve se aproximar da ilha de Tenerife no próximo domingo (10), permanecerá ao largo. Passageiros serão transferidos por barcos até o aeroporto, de onde seguirão para seus países de origem.
Autoridades tentam conter pânico
Especialistas destacam que, embora a cepa Andes — identificada no navio — possa ser transmitida entre pessoas, isso exige contato próximo e repetido. “Isso não é coronavírus”, afirmou Maria Van Kerkhove, chefe de preparação para epidemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), em coletiva na quinta-feira (7). “Este não é o início de uma nova pandemia de Covid.”
Mesmo assim, o presidente das Ilhas Canárias protestou contra a atracação do navio, enquanto redes sociais foram tomadas por questionamentos sobre a segurança de viagens e menções ao uso de máscaras.
Recordações traumáticas
A médica e jornalista Celine R. Gounder disse compreender a ansiedade popular. “Tenho TEPT da Covid. Há locais de Nova York por onde não passo sem lembrar os caminhões frigoríficos usados como necrotérios”, declarou.
No programa norte-americano “Today”, o ex-coordenador da resposta à Covid nos EUA, Ashish Jha, defendeu o rastreamento de contatos: “Precisamos localizar todos que deixaram o cruzeiro e monitorá-los. Se surgirem sintomas, essas pessoas devem ser isoladas”.
Imagem: Internet
Reações políticas e sociais
O comentarista conservador Glenn Beck alertou para um possível retorno de medidas adotadas durante a pandemia, enquanto usuários de redes sociais ironizaram a situação relembrando rituais sanitários aprendidos em 2020.
Autoridades de saúde em vários países investigam casos suspeitos ligados ao surto; boa parte já teve resultado negativo. O hantavírus é normalmente transmitido por roedores, e a maioria das cepas não permite contágio humano a humano.
Para profissionais da OMS, protocolos tradicionais de prevenção — como higiene, ventilação adequada e isolamento de casos sintomáticos — são suficientes para evitar a disseminação.
Com informações de Folha de S.Paulo





