Aspirina ganha força como estratégia de prevenção e controle do câncer, indicam estudos

Pesquisas recentes no Reino Unido e na Suécia mostram que doses baixas e regulares de aspirina, medicamento usado há mais de um século como analgésico e anticoagulante, podem reduzir significativamente o risco de desenvolvimento e de retorno do câncer colorretal em grupos específicos.

Caso clínico impulsiona investigação

O britânico Nick James, 45 anos, descobriu portar a síndrome de Lynch — mutação genética que eleva em até 80% a probabilidade de câncer de intestino — e, há dez anos, tornou-se o primeiro voluntário de um teste clínico que avalia o efeito diário da aspirina na prevenção da doença. Até agora, não apresentou sinais de tumor.

Resultados no grupo com síndrome de Lynch

O ensaio liderado pelo geneticista clínico John Burn, da Universidade de Newcastle (Reino Unido), acompanhou 861 pessoas com síndrome de Lynch por uma década. Tomar 600 mg de aspirina por, no mínimo, dois anos reduziu em 50% a incidência de câncer colorretal. Análise subsequente — ainda em revisão por pares — indica que doses entre 75 mg e 100 mg alcançam a mesma proteção, com menor risco de efeitos adversos.

Com base nesses dados, diretrizes britânicas de 2020 recomendam que a maioria dos portadores da síndrome inicie o uso preventivo do medicamento por volta dos 20 anos (ou aos 35, em casos menos graves).

Estudo sueco em pacientes já operados

A cirurgiã Anna Martling, do Instituto Karolinska, avaliou 2.980 pacientes submetidos a cirurgia de câncer colorretal. Quem recebeu 160 mg diários de aspirina em até três meses após o procedimento teve risco de recidiva inferior à metade em comparação ao grupo placebo. Os achados, publicados em setembro de 2025, levaram a Suécia a adotar, desde janeiro de 2026, o teste genético de tumores e a prescrição do fármaco quando determinadas mutações estão presentes.

Ensaios em diferentes tipos de tumor

A oncologista Ruth Langley, do University College London, conduz o estudo Add-Aspirin com 11 mil voluntários no Reino Unido, Irlanda e Índia. Portadores de câncer colorretal, de mama, gastroesofágico ou de próstata recebem diariamente 100 mg ou 300 mg do composto. Os resultados são esperados para o próximo ano.

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Imagem: Internet

Como a aspirina pode agir

A droga inibe a enzima Cox-2, reduzindo a produção de prostaglandinas associadas ao crescimento celular descontrolado. Experimentos em camundongos da Universidade de Cambridge sugerem ainda que a substância bloqueia o tromboxano A2, fator de coagulação que pode ocultar células metastáticas do sistema imunológico.

Riscos e orientação médica

Apesar dos benefícios observados, o uso contínuo de aspirina pode causar indigestão, úlceras, hemorragias internas e sangramento cerebral. Especialistas ressaltam que a automedicação não é recomendada; qualquer decisão deve ser tomada com acompanhamento profissional.

Com informações de Folha de S.Paulo

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