São Paulo – Um exame químico de joias recuperadas do navio pirata Whydah Gally, afundado em 1717 na costa de Massachusetts (EUA), contesta relatos históricos de que comerciantes da África Ocidental diluíam o ouro que vendiam a europeus.
A pesquisa, publicada em março na revista científica Heritage Science, foi conduzida pelo geoquímico Tobias Skowronek, da Universidade de Bonn (Alemanha), em colaboração com o arqueólogo Christopher DeCorse, da Universidade de Syracuse (EUA), e o arqueólogo subaquático Brandon Clifford, diretor-executivo do Museu Pirata do Whydah, em Yarmouth, Massachusetts.
Material analisado
Foram estudados 27 artefatos dourados retirados do Whydah Gally. Muitos exibem característica típica do trabalho em ouro dos povos Akan, do atual Gana. O maior deles mede 1,3 centímetro de largura.
Cada peça foi submetida a feixe de elétrons que, ao provocar emissão de raios X, permite identificar os elementos presentes. Os resultados apontaram teor entre 70% e 100% de ouro em peso. Quando não havia pureza total, as ligas continham, sobretudo, prata, cobre, ferro ou chumbo.
Origem das impurezas
Segundo Skowronek, proporções semelhantes desses metais ocorrem naturalmente no minério extraído em Gana, o que indica que o produto não foi adulterado. “Não se encontra ouro 100% puro no depósito”, afirmou o pesquisador.
Relatos de comerciantes ingleses, holandeses e suecos do século 18 sustentavam que africanos misturavam materiais mais baratos ao ouro destinado à Europa. A nova análise sugere que a suspeita era infundada.
Imagem: Internet
Contexto do naufrágio
O Whydah Gally havia sido capturado no Caribe pelo pirata Samuel Bellamy e carregava o saque de pelo menos 50 embarcações quando foi destruído por uma tempestade. Os destroços foram localizados em 1984 pela equipe do explorador submarino Barry Clifford, pai de Brandon.
Repercussão
Para a antropóloga Kathleen Bickford Berzock, da Universidade Northwestern (EUA), que não participou do estudo, o achado ajuda a esclarecer o comércio de ouro entre europeus e africanos. Francesca Casadio, do Art Institute of Chicago, destacou que a ciência oferece novas camadas de compreensão histórica.
Os pesquisadores continuarão investigando outros objetos do naufrágio para ampliar o conhecimento sobre a rota do ouro no Atlântico.
Com informações de Folha de S.Paulo





