Estudos recentes indicam que a alimentação pode influenciar diretamente a formação e a persistência do melasma, condição caracterizada por manchas escuras na pele, sobretudo no rosto. A hipótese ganhou força após trabalhos apontarem que inflamação, estresse oxidativo e alterações metabólicas — processos sensíveis à dieta — também participam do surgimento da hiperpigmentação.
Embora exposição solar, oscilações hormonais e predisposição genética continuem sendo fatores-chave, pesquisadores passaram a relacionar o quadro ao aumento de mastócitos (células de defesa da pele) e de substâncias inflamatórias, como a histamina. Nessa nova perspectiva, componentes presentes nos alimentos podem modular esses mecanismos.
Antioxidantes em destaque
Polifenóis, carotenoides e outros compostos bioativos vêm sendo estudados por sua capacidade de reduzir inflamação e neutralizar radicais livres. Entre os exemplos mais citados estão:
- Catequinas do chá-verde, investigadas por ação anti-inflamatória e proteção contra radiação ultravioleta;
- Elagitaninos e ácido elágico, abundantes na romã, jabuticaba, camu-camu, morango e framboesa, associados à redução de danos cutâneos;
- Licopeno, luteína e zeaxantina, presentes em tomate, cenoura e vegetais verde-escuros, relacionados à defesa contra o estresse oxidativo.
A transformação desses compostos em formas ativas depende, em parte, da microbiota intestinal, reforçando a ligação entre saúde digestiva e aparência da pele.
Impacto de açúcares e ultraprocessados
Dietas ricas em açúcares, farinhas refinadas e alimentos ultraprocessados favorecem resistência à insulina e inflamação de baixo grau. Esse cenário aumenta a produção de produtos finais de glicação avançada (AGEs), moléculas que aceleram a degradação do colágeno e prejudicam a barreira cutânea, fatores que podem intensificar o melasma. Métodos de preparo em altas temperaturas, como fritura e grelhados intensos, também elevam a formação de AGEs; já cozimento em água ou vapor gera quantidades menores.
Imagem: Internet
Abordagem combinada
Compreender o melasma como condição multifatorial — resultado de interação entre radiação solar, hormônios, genética, inflamação e metabolismo — explica por que o tratamento costuma englobar fotoproteção rigorosa, acompanhamento dermatológico e orientação nutricional. Padrões alimentares ricos em frutas, verduras, ervas e especiarias, semelhantes aos das dietas plant-based e mediterrânea, estão associados a um ambiente metabólico mais equilibrado e, potencialmente, à redução das manchas.
Ainda são necessários estudos clínicos de longo prazo para determinar doses ideais e efeitos específicos de cada nutriente. Mesmo assim, as evidências atuais reforçam que escolhas alimentares podem refletir na saúde da pele e contribuir para estratégias preventivas e terapêuticas contra o melasma.
Com informações de Folha de S.Paulo





