Formigas maiores fazem “pit stop” de limpeza em ninho de espécie menor no deserto do Arizona

Um estudo divulgado em 13 de abril na revista Ecology and Evolution descreve uma parceria incomum entre duas espécies de formigas que vivem no deserto de Portal, Arizona (EUA). Pesquisas conduzidas pelo entomologista Mark Moffett, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, mostram que formigas-ceifeiras-vermelhas (Pogonomyrmex barbatus) visitam os ninhos de formigas muito menores (Dorymyrmex medeis) para serem “limpas”.

A cena foi registrada pela primeira vez há 20 anos, quando Moffett tomava café atrás de uma cabana na pequena comunidade do Arizona. Intrigado, ele fotografou o comportamento e, posteriormente, acompanhou pelo menos 90 interações ao longo de cinco dias.

Rotina matinal

Segundo o pesquisador, as atividades começam ao nascer do sol, atingem o pico antes do meio da manhã e caem antes do calor intenso do deserto. As formigas P. barbatus se aproximam da entrada do ninho de D. medeis, esticam as pernas, abrem as mandíbulas e permanecem imóveis. Em menos de um minuto, indivíduos menores sobem sobre o corpo da visitante, lambendo e mordiscando suas superfícies.

Em alguns casos, até cinco formigas D. medeis trabalham simultaneamente. As ceifeiras-vermelhas toleram a sessão por até cinco minutos e raramente reagem; somente quando se irritam sacodem as pequenas ajudantes para longe.

Semelhança com peixes limpadores

O biólogo Daniel Kronauer, da Universidade Rockefeller, que não participou da pesquisa, classificou a observação como “bastante única” e destacou seu potencial para orientar novos estudos sobre sociedades de formigas.

Para entender a utilidade do comportamento, Moffett consultou especialistas em interações simbióticas. Há hipóteses de que as formigas menores obtenham nutrientes durante a limpeza ou troquem feromônios que pacificam as visitantes. A ecologista marinha Alexandra Grutter, da Universidade de Queensland, comparou o fenômeno às “estações de limpeza” vistas em recifes, onde peixes clientes permanecem imóveis enquanto peixes ou camarões removem parasitas.

Formigas maiores fazem “pit stop” de limpeza em ninho de espécie menor no deserto do Arizona - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Entre as possibilidades levantadas, Grutter sugere que as espécies possam compartilhar microrganismos benéficos, melhorando o microbioma de uma ou de ambas as formigas. No entanto, ela ressalta que os dados disponíveis ainda não permitem determinar quais vantagens cada lado efetivamente obtém.

Embora os motivos da parceria permaneçam em aberto, Moffett enfatiza a complexidade da “coreografia” observada e reforça a necessidade de estudos adicionais para elucidar o custo-benefício dessa colaboração incomum no submundo dos insetos.

Com informações de Folha de S.Paulo

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