O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 19.181 atendimentos ambulatoriais de apoio à cessação do tabagismo no ano passado, frente a 5.295 registros seis anos antes, mostram dados do Ministério da Saúde. O salto representa um crescimento de cerca de 260% no período.
A pasta não esclarece se o avanço decorre do aumento de fumantes no país ou de maior procura pelos serviços. Em 2024, o Brasil registrou a primeira alta na prevalência de adultos fumantes desde 2007, passando de 9,3% para 11,6% da população.
Carga de internações também sobe
Entre 2020 e 2025, as internações diretamente ligadas ao consumo de tabaco avançaram de 1.251 para 2.125, reforçando a pressão sobre a rede pública.
Desafios nos grupos de apoio
Os grupos antitabagismo compõem a principal estratégia terapêutica do SUS. Na UBS Arrastão, em Campo Limpo (zona sul de São Paulo), participam a diarista Genicélia Maria da Silva, 60, e a secretária Ivoneide Ribeiro Amorim, 65. As duas relatam ansiedade e dificuldade para manter a abstinência, mesmo após períodos sem fumar.
“O grupo precisa considerar a particularidade de cada participante; faltam profissionais capacitados para esse suporte”, afirma Sandra Marques, coordenadora do Programa Estadual de Controle do Tabagismo em São Paulo. Segundo ela, o acompanhamento psicológico individual muitas vezes não acontece porque depende da disponibilidade de especialistas em cada município.
O oncologista Fernando Medina, coordenador do programa “Viver Sem Cigarro” da Unicamp, destaca que a adesão às primeiras sessões é determinante. “No primeiro mês, a frequência é semanal; depois se torna quinzenal, até o paciente precisar menos”, explica.
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Taxa de sucesso limitada
O Ministério da Saúde não informa quantos participantes concluem o tratamento com êxito. Estimativas de especialistas variam entre 10% e 30%. Parte dos usuários abandona as reuniões antes do término.
Mais profissionais, custos elevados
O número de trabalhadores treinados para atuar no controle do tabagismo subiu 30%: de 5.935 em 2022 para 7.702 em 2025. Mesmo assim, o país gasta anualmente R$ 153,5 bilhões em despesas diretas e indiretas relacionadas a doenças provocadas pelo tabaco, aponta o Instituto de Efetividade Clínica e Social.
Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, o programa brasileiro ainda depende de medidas complementares para reduzir o consumo. “O que se arrecada em impostos do cigarro não cobre nem metade do que se gasta”, observa Medina.
Com informações de Folha de S.Paulo





