Dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde apontam que Dourados, no Mato Grosso do Sul, responde por 42% dos óbitos por chikungunya contabilizados no país em 2026 até 17 de abril.
No período, foram confirmadas 19 mortes pela doença em todo o Brasil. Doze ocorreram em território sul-mato-grossense, das quais oito na cidade de Dourados. Entre as vítimas locais estão dois bebês indígenas, de um e três meses.
Situação epidemiológica em Dourados
O município registrou 4.959 casos prováveis de chikungunya, com 2.204 confirmações laboratoriais. O coeficiente de incidência chega a 2.037,6 casos por 100 mil habitantes — a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde classificam como epidemia taxas acima de 300.
Diante do avanço da doença, o prefeito Marçal Filho decretou situação de calamidade em saúde pública em 20 de abril e instalou o Centro de Operações de Emergências (COE). Segundo a administração municipal, 41 pacientes permanecem internados na rede pública.
Ações estaduais e municipais
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) reforçou a estrutura hospitalar em Dourados com 15 leitos exclusivos no Hospital Regional de Dourados, sendo dez para adultos e cinco pediátricos, por tempo indeterminado. A pasta também instituiu fluxo emergencial de regulação para casos graves, capacitou equipes médicas e intensificou o controle vetorial, com envio de equipamentos às cidades em surto ou epidemia.
Em 5 de março, uma força-tarefa formada por governo estadual, Prefeitura de Itaporã, Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó visitou 4.319 residências indígenas. Tratamento químico foi aplicado em 2.173 imóveis; 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti foram encontrados — 90% em caixas d’água, lixo e pneus.
A Força Nacional do SUS assumiu a atenção básica na reserva indígena logo após a operação, permanecendo até 18 de abril. Nesse intervalo, foram realizados 2.500 atendimentos, 130 remoções, 358 visitas domiciliares e 804 exames. No início de abril, o Ministério da Saúde contratou 50 agentes de combate às endemias, que atuaram com apoio do Exército e eliminaram 575 criadouros em 1.900 residências.
Uma unidade móvel do programa “Agora Tem Especialistas” começará a operar no sábado, 25 de abril, oferecendo consultas clínicas, vacinação, pré-natal, testes rápidos e exames para identificação da chikungunya em áreas indígenas.
Imagem: Internet
Números no estado e no país
Em todo o Mato Grosso do Sul foram notificados 7.587 casos prováveis, com 3.376 confirmações. Nacionalmente, até 17 de abril, o país registra 31.909 casos prováveis e 18.066 confirmados, além dos 19 óbitos; outras 14 mortes seguem em investigação.
Outros estados com números expressivos até a mesma data são Goiás (8.264 prováveis, 6.974 confirmados e um óbito), Minas Gerais (8.278 prováveis, 4.510 confirmados e um óbito) e São Paulo (1.526 prováveis, 615 confirmados e dois óbitos).
Vacinação piloto
Dourados e Itaporã (MS), Bady Bassitt (SP), Araguari e Uberlândia (MG) e Caldas Novas (GO) integram a estratégia piloto de vacinação contra a chikungunya do Ministério da Saúde. A aplicação das doses tem início previsto para 27 de abril, modelo já utilizado em dez municípios selecionados em 2025.
A chikungunya provoca febre alta, dores articulares e musculares intensas, além de possibilidade de complicações crônicas, especialmente em crianças, idosos, portadores de doenças crônicas e imunossuprimidos.
Com informações de Folha de S.Paulo





