A redução do consumo de açúcar da gestação até os dois anos de idade está associada a menor probabilidade de doenças cardiovasculares na vida adulta, segundo estudo publicado no British Journal of Medicine. A investigação utilizou o período de racionamento de alimentos implantado no Reino Unido entre 1942 e 1953, durante e após a Segunda Guerra Mundial, para avaliar os efeitos da limitação do ingrediente.
Os pesquisadores analisaram dados de 63.433 participantes do UK Biobank nascidos de outubro de 1951 a março de 1956. O grupo foi dividido entre pessoas que ainda estavam no útero enquanto o racionamento vigorava e aquelas que nasceram após o término da política.
Queda de até 31% no risco de AVC
Os resultados mostram que, quanto maior o tempo de exposição à restrição de açúcar, maior a proteção no futuro. Entre os menos expostos ao ingrediente, houve redução de 25% na incidência de infarto e de 31% nos casos de acidente vascular cerebral. Além disso, as doenças cardiovasculares apareceram, em média, dois anos mais tarde nesse grupo.
Limitações do estudo
Por se tratar de análise observacional com base em registros históricos, a pesquisa não comprova relação de causa e efeito. A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, lembra que o fim do racionamento coincidiu com maior oferta de outros alimentos, inclusive gorduras, além de mudanças de estilo de vida que podem influenciar os resultados.
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Recomendações atuais
Apesar das limitações, os autores apontam que a limitação precoce de açúcar pode favorecer um metabolismo mais saudável ao longo da vida. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que crianças menores de dois anos não consumam açúcar nem doces; após essa idade, a ingestão deve ser eventual e moderada.
Com informações de Folha de S.Paulo





