O atacante brasileiro Estêvão, do Chelsea, sofreu uma lesão muscular de grau quatro na parte posterior da coxa e corre o risco de ficar fora da Copa do Mundo de 2026, marcada para junho nos Estados Unidos, México e Canadá. O problema ocorreu no sábado, 18 de abril, durante a partida contra o Manchester United, em Stamford Bridge.
Ruptura total do músculo e possível dano ao tendão
De acordo com o portal The Athletic, a contusão foi classificada no nível mais grave da escala médica. Nesse estágio, há rompimento completo das fibras musculares e, muitas vezes, também perda da conexão com o osso devido à ruptura do tendão.
O que caracteriza a lesão muscular
Segundo o ortopedista José Luís Zabeu, chefe da ortopedia do Hospital Vera Cruz, a lesão muscular ocorre quando as fibras da porção “vermelha” do músculo se rompem. Nos casos mais severos, o dano avança para a parte “branca”, o tendão, responsável por prender o músculo ao osso.
Classificação dos graus
O médico do esporte Warlindo Neto, que integrou o Time Brasil nas Olimpíadas de 2016, 2021 e 2024, explica os níveis:
• Grau 1 – poucas fibras afetadas, sem impedir o movimento;
• Grau 2 – ruptura maior, com limitação de até 50% da função muscular;
• Grau 3 – separação completa das fibras;
• Grau 4 – rompimento total acompanhado de lesão do tendão.
Como o problema acontece
Entre as causas citadas pelos especialistas estão desequilíbrio de força entre os membros, excesso de estímulo sem descanso adequado, fadiga muscular e traumas de alta energia. “Para atletas de futebol, a diferença de força entre as pernas não deve ultrapassar 5%”, afirma Warlindo Neto.
O ortopedista Everson Giriboni acrescenta que impactos bruscos contra um músculo contraído também podem provocar o rompimento. Pessoas sedentárias, alerta ele, têm risco maior em situações semelhantes por falta de elasticidade.
Imagem: Internet
Prazo de recuperação
A cicatrização pode levar de três a seis meses, conforme a condução do tratamento. Caso o tendão também tenha sido lesionado, a cirurgia passa a ser considerada, o que prolonga o período fora dos gramados. Ignorar o tempo de repouso recomendado aumenta a chance de uma nova ruptura.
Ex-coordenador de fisioterapia do Santos, Avelino Buongermino lembra que o local atingido é essencial para arrancada e potência. Ele não descarta que a equipe de Estêvão opte por tratamento conservador, sem operação, numa tentativa de liberá-lo a tempo do Mundial – estratégia incomum em casos de grau quatro.
O Chelsea ainda não divulgou cronograma oficial para o retorno do jogador.
Com informações de Folha de S.Paulo





