Recém-nascidos que registram pressão arterial acima do esperado nos primeiros dias de vida podem ter probabilidade até 3,75 vezes maior de desenvolver hipertensão durante a idade escolar, indica estudo publicado em janeiro no JAMA Network Open.
A pesquisa acompanhou 500 crianças saudáveis da coorte Environmental Influence on Aging in Early Life (Environage) desde o nascimento até os 11 anos. As medições da pressão arterial foram realizadas em três ocasiões: nos três primeiros dias de vida, entre 4 e 6 anos e entre 9 e 11 anos.
Os dados mostraram que a pressão arterial tende a permanecer em níveis semelhantes ao longo do crescimento – fenômeno conhecido como tracking. O levantamento identificou três trajetórias: cerca de 80% das crianças mantiveram valores estáveis, um grupo apresentou elevação acelerada e outro reduziu os níveis iniciais.
Mesmo crianças que nasceram com pressão mais baixa puderam migrar para a faixa elevada ao longo do tempo. Os pesquisadores consideraram variáveis como índice de massa corporal, peso ao nascer, idade gestacional e características maternas, concluindo que a evolução da pressão é multifatorial.
Relevância clínica
Para o cardiologista pediátrico Gustavo Foronda, do Hospital Israelita Albert Einstein, o trabalho é pioneiro em acompanhar a pressão arterial desde o nascimento em crianças sem doenças pré-existentes. Segundo ele, pequenas variações precoces podem ter impacto concreto anos depois.
Na pediatria, a classificação da hipertensão leva em conta idade, sexo e altura, sem um valor fixo como no adulto. O diagnóstico exige várias medições realizadas com técnica padronizada.
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Monitoramento precoce
Aferir a pressão logo após o parto não faz parte da rotina em maternidades, mas os autores sugerem que esse acompanhamento precoce pode ajudar a identificar grupos de risco. Caso haja alterações persistentes, o encaminhamento a um especialista é recomendado.
Embora o estudo seja observacional e não teste intervenções, os resultados reforçam que a hipertensão é um fator de risco modificável. Controle de peso, alimentação equilibrada, atividade física e consultas regulares são medidas capazes de alterar essa trajetória.
As doenças cardiovasculares continuam liderando as causas de morte no mundo, com quase 20 milhões de óbitos por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. Pressão alta na infância está associada a hipertensão persistente, rigidez arterial e aumento do ventrículo esquerdo na vida adulta.
Com informações de Folha de S.Paulo





