Neurocientista descarta “vantagem evolutiva” para calvície, barba e depressão

A bióloga e neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da Universidade Vanderbilt (EUA), afirmou em sua coluna publicada em abril de 2026 que não existe benefício adaptativo comprovado para condições como calvície, barba farta, depressão, autismo ou esquizofrenia.

Em texto divulgado pela Folha de S.Paulo, a pesquisadora classificou como “pseudo-evolutivos” os argumentos que tentam justificar tais características pela seleção natural. Segundo ela, a ideia de que “se existe, é porque traz vantagem” persiste desde a popularização do termo “sobrevivência do mais apto”, cunhado por Herbert Spencer após a obra de Charles Darwin, mas não encontra respaldo científico.

Variação é a regra

Herculano-Houzel destacou que, do ponto de vista biológico, a evolução explica o fato de humanos nascerem com cabelos, e não a perda deles com o envelhecimento. A calvície, argumentou, resulta da combinação entre herança genética e fatores hormonais, fenômeno semelhante ao que determina a densidade da barba.

Para a cientista, a mesma lógica vale para condições neuropsiquiátricas. Autismo, depressão e esquizofrenia são variações possíveis dentro da espécie humana, ainda que muitas outras alterações genéticas levem à inviabilidade embrionária. “Se é ruim, então por que existe? Porque é fruto de variação genética e das vicissitudes da existência”, escreveu.

Depressão não é estratégia adaptativa

Durante palestra na Vanderbilt, relatou a autora, um colega sugeriu que a depressão seria útil por estimular a ruminação mental necessária para resolver problemas. Herculano-Houzel rebateu afirmando não haver evidências de que esse processo melhore o quadro clínico; ao contrário, costuma paralisar o paciente.

Neurocientista descarta “vantagem evolutiva” para calvície, barba e depressão - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

A neurocientista concluiu que buscar explicações evolutivas para traços indesejáveis pode atrasar o tratamento médico disponível. “Evolução é fato, depressão também. Teoria é como a gente explica esses fatos”, resumiu.

Com informações de Folha de S.Paulo

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