O uso de lenços umedecidos, antes restrito à rotina de bebês, ganhou força entre adultos para a higiene após evacuações. Especialistas consultados por Folha de S.Paulo afirmam que o produto pode ser uma alternativa prática em situações nas quais o banho não é possível, mas reforçam que água e sabão continuam sendo o método mais eficaz de limpeza.
Por que o lenço chama atenção
Segundo a ginecologista Claudiane Garcia de Arruda, da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), os lenços são menos abrasivos do que o papel higiênico, fator que atrai novos consumidores. A coloproctologista Maria Julia Segantini, membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC), acrescenta que a umidade ajuda a remover resíduos que podem permanecer nas pregas anais.
Uso deve ser pontual
A dermatologista Bhertha Tamura, mestre e doutora pela USP, alerta que o manuseio frequente — várias vezes ao dia — pode provocar irritação cutânea e dermatite de contato. O atrito vigoroso ainda funciona como esfoliação mecânica e amplia o risco de lesões.
Como escolher o produto
Profissionais recomendam versões sem álcool, perfume e com pH neutro. Lenços destinados à limpeza de superfícies ou impregnados com antissépticos não devem ser aplicados na pele.
Orientações específicas
No ânus, os médicos aconselham descartar cada folha após um passe e evitar dobras que acumulem secreções. Para quem tem vagina, o movimento indicado é da frente para trás, reduzindo risco de infecções. Após o uso, a região deve ficar seca; se necessário, utilize papel sem friccionar para retirar umidade. No pênis, o urologista Ricardo Zordan, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), sugere apenas encostar papel para secar a ponta após urinar e alerta que limpeza exagerada pode levar à balanopostite.
Riscos apontados em estudos
Pesquisa publicada em 2022 no International Journal of Women’s Dermatology encontrou alérgenos capazes de alterar o pH vulvar, favorecendo vaginose bacteriana e candidíase quando o uso é excessivo.
Imagem: Internet
Mercado em expansão
Dados do Google Trends indicam aumento nas buscas por lenços umedecidos a partir de 2020, com pico em 2026. A Johnson & Johnson introduziu o item para bebês no Brasil na década de 1980. Hoje, empresas como Free Brands e Suzano ampliam o portfólio. A Free Wipes “Pós Nº 2”, lançada em junho de 2024, soma 3 milhões de unidades vendidas e viralizou no TikTok Shop. A Suzano, dona das marcas Neve e Mimmo, atribui o crescimento ao interesse por bem-estar, conforto e portabilidade.
Médicos orientam interromper o uso e buscar avaliação profissional caso surjam vermelhidão, inchaço, coceira ou pápulas após o contato com o lenço.
Com informações de Folha de S.Paulo





