Rede pública para idosos não acompanha avanço do envelhecimento no Brasil

São Paulo – O número de brasileiros com 60 anos ou mais cresceu 58,5% em 13 anos, saltando de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025, segundo dados do IBGE divulgados em 17 de abril. Apesar da rápida expansão desse grupo etário, a oferta de centros-dia e serviços diários de convivência permanece pequena e concentrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Oferta desigual

Entre as capitais do Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte mantêm centros-dia para idosos em situação de vulnerabilidade. Vitória oferece apenas atendimento parcial, enquanto cidades como Maceió e João Pessoa não dispõem desse tipo de serviço.

No Sul, Curitiba informa ter dois centros-dia; Florianópolis não respondeu ao contato, mas divulga a existência do serviço em seu site oficial. Já no Centro-Oeste, Cuiabá, Campo Grande e Goiânia afirmam não contar com a estrutura. Brasília não se manifestou.

No Norte, Palmas relata que duas entidades civis executam o atendimento. As demais capitais da região não enviaram informações. No Nordeste, Recife mantém um espaço de convivência diária que atende cerca de 1.000 idosos, e Aracaju possui uma unidade; João Pessoa oferece apenas atividades pontuais.

Exemplo paulistano

A cidade de São Paulo dispõe de 96 núcleos de convivência, sete centros-dia (810 vagas) e um Serviço de Atenção Diária à Pessoa Idosa (180 vagas). Um desses equipamentos é o Núcleo de Convivência para Idosos Pipas, na Vila Maria, zona norte, aberto das 8h às 18h. A unidade tem 560 inscritos e recebe em média 120 participantes por dia para refeições, atividades físicas e oficinas.

De acordo com a prefeitura, os núcleos paulistanos realizaram 199.156 atendimentos em 2024 e 210.925 em 2025. A maioria dos frequentadores chega por recomendação médica em busca de exercícios como pilates, zumba e treino funcional.

Famílias sobrecarregadas

Com a rede ainda restrita, parte do cuidado recai sobre familiares. É o caso de Marines Barbosa, 55, que deixou o trabalho há cinco anos para acompanhar a mãe, Isaura, 75, portadora de doença de Parkinson e demência por Corpos de Lewy. “Ela precisa de vigilância 24 horas”, relata.

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Imagem: Internet

Para idosos sem apoio familiar, os centros de convivência também funcionam como alternativa à solidão. A aposentada Marluce Maria Ribeiro, 71, vai diariamente ao núcleo da Vila Maria. “Aqui é meu ânimo e minha alegria”, diz. Aos 92 anos, Katsuyoshi Ishikawa atribui a disposição física ao mesmo espaço, que frequenta duas vezes por semana ao lado da esposa, Irene, 84.

Janete Aparecida da Silva, 70, procurou o local após sofrer um AVC. “Esse lugar mudou a minha vida”, afirma a idosa, que participa de aulas de artesanato, sessões com psicólogo e rodas de conversa.

Peso do envelhecimento

Enquanto a população idosa cresceu 13 milhões entre 2012 e 2025 — mais que toda a população da cidade de São Paulo (11,9 milhões) —, o número de brasileiros com menos de 30 anos encolheu 10%, caindo de 98,2 milhões para 88 milhões. O cenário pressiona famílias e governos a ampliar a rede de apoio, hoje insuficiente fora do eixo Sul-Sudeste.

Sem expansão desses serviços, especialistas alertam que a sobrecarga sobre cuidadores informais tende a aumentar, intensificando demandas por saúde, assistência social e inclusão.

Com informações de Folha de S.Paulo

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