Opas adverte para aumento de casos de gripe K e VSR no Hemisfério Sul

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) divulgou nesta segunda-feira (27) um alerta sobre o início do período de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, indicando predominância da variante K do Influenza A(H3N2) na temporada que se aproxima.

Detectada pela primeira vez no ano passado e dominante no último inverno do Hemisfério Norte, a variante K foi identificada no Brasil em dezembro de 2025. Embora não provoque quadros mais graves que outras cepas, está associada a períodos mais prolongados de transmissão.

Situação na América do Sul

Segundo a Opas, o cenário atual é “compatível com o início gradual do inverno”. A atividade de Influenza ainda é considerada baixa, mas há sinais de crescimento em diversos países, com destaque para o vírus A(H3N2).

A organização alerta que, tomando como referência o que ocorreu no Norte global, os países do Sul devem se preparar para picos concentrados de demanda hospitalar, capazes de pressionar os serviços de saúde.

Dados brasileiros

No Brasil, a taxa de positividade para Influenza ficou abaixo de 5% no primeiro trimestre, porém subiu para 7,4% ao fim de março. Entre 607 amostras analisadas até 21 de março, 72% correspondiam ao subclado K.

A circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) também mostra tendência de crescimento e vem ocorrendo mais cedo que o habitual, o que eleva o risco para crianças pequenas e outros grupos vulneráveis.

Vacinação e prevenção

Diante da possível sobrecarga do sistema de saúde provocada pela combinação de Influenza, VSR e casos ainda relevantes de Covid-19, a Opas recomenda intensificar a vacinação. No Hemisfério Norte, a atual vacina contra gripe apresentou até 75% de eficácia na prevenção de hospitalizações de crianças, conforme dados do Reino Unido.

No Brasil, o imunizante é atualizado anualmente e inclui a cepa H3N2. A campanha nacional prioriza crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde, indígenas, professores e população privada de liberdade. Gestantes também têm acesso à vacina contra VSR, que protege recém-nascidos contra bronquiolite.

A Opas reforça ainda medidas de higiene, como lavar as mãos regularmente e adotar etiqueta respiratória. Pessoas com febre devem evitar locais públicos até a temperatura voltar ao normal; o mesmo vale para crianças em idade escolar com sintomas respiratórios.

Boletim Infogripe confirma tendência

O boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado nesta quarta-feira (29), confirma o aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados a Influenza A e VSR entre 19 e 25 de abril em todas as regiões brasileiras. De 27 unidades federativas, 24 estão em níveis de alerta, risco ou alto risco. Há tendência de alta no longo prazo em 16 estados.

Em 2026, o país notificou mais de 46 mil casos de SRAG, 44,3% deles confirmados por testes laboratoriais. Desse total, 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por VSR. Nas quatro semanas mais recentes, as proporções subiram para 31,6% e 36,2%, respectivamente.

As autoridades recomendam a manutenção e o reforço das ações de vacinação e prevenção para evitar o esgotamento dos serviços de saúde.

Com informações de Agência Brasil

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