A quantidade de anos que britânicos vivem sem limitações de saúde caiu quase dois anos na última década, chegando a menos de 61 anos para homens e mulheres, aponta relatório da Health Foundation divulgado nesta semana.
O estudo analisou dados do Office for National Statistics (ONS) referentes aos períodos de 2012-2014 e 2022-2024. Entre as 21 maiores economias globais, o Reino Unido é uma das cinco que registraram recuo na expectativa de vida saudável (EVS) e teve a segunda maior perda.
Diferença de 20 anos entre áreas ricas e pobres
Moradores dos 10% de bairros mais favorecidos economicamente podem esperar viver cerca de 20 anos a mais com boa saúde do que quem reside nas regiões mais carentes. Richmond, distrito londrino, lidera o ranking nacional, com 69 anos de EVS para homens e 70 para mulheres. Já em Blackpool e Hartlepool, as médias caem para 51 anos entre homens e mulheres, respectivamente.
Segundo o relatório, mais de 90% dos locais avaliados apresentam expectativa de vida saudável inferior à idade oficial de aposentadoria — 66 ou 67 anos — e, em 10% deles, o índice fica abaixo dos 55 anos. Londres foi a única região a mostrar melhora no período estudado.
Fatores de risco e impacto econômico
A fundação atribui o declínio a fatores como pobreza, moradias precárias, altas taxas de obesidade e efeitos da pandemia de covid-19. O principal analista de dados da entidade, Andrew Mooney, destacou que o Reino Unido tem o maior índice de obesidade da Europa Ocidental e vem registrando aumento expressivo de problemas de saúde mental entre jovens, o que pressiona a economia ao retirar pessoas do mercado de trabalho.
Imagem: Internet
Apesar da redução na EVS, a expectativa de vida total no país manteve-se estável no período. Em comparação internacional feita com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Reino Unido ocupa agora a 20ª posição entre as 21 nações avaliadas, superando apenas os Estados Unidos.
Chamado à prevenção
Para Layla McCay, diretora de políticas da NHS Alliance, os números demonstram como as disparidades sociais determinam a saúde: comunidades de baixa renda passam mais anos doentes e enfrentam maiores barreiras para acessar tratamento. Ela defende ações preventivas, fortalecimento da assistência comunitária e ampliação dos serviços próximos da população como respostas prioritárias.
Com informações de Folha de S.Paulo





