Inteligência artificial descobre molécula que pode virar opção ao Ozempic contra obesidade

Pesquisadores da Stanford Medicine, na Califórnia (EUA), identificaram em 2025 um peptídeo batizado de BRP que reduziu o peso de camundongos obesos sem provocar os efeitos colaterais associados a medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Como o composto foi encontrado

A equipe desenvolveu a ferramenta de inteligência artificial Peptide Predictor, que analisou cerca de 20 mil genes humanos. O sistema apontou 2.683 peptídeos com características hormonais; aproximadamente 100 deles foram testados em laboratório, e o BRP demonstrou o melhor desempenho.

Mecanismo de ação

Formado por 12 aminoácidos, o BRP age diretamente no hipotálamo, área do cérebro que regula a fome. Segundo Giles Yeo, professor de neuroendocrinologia molecular do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido, as terapias atuais de GLP-1 também atingem o tronco encefálico, responsável pela sensação de saciedade desconfortável, o que contribui para náuseas, vômitos e outros desconfortos gastrointestinais. Ao focar apenas no hipotálamo, o novo peptídeo teria potencial para evitar esses efeitos.

Resultados em animais

Nos experimentos, camundongos tratados diariamente com BRP perderam peso, enquanto o grupo controle ganhou massa corporal. Os roedores também apresentaram redução de gordura sem perda de músculo, outro possível benefício em relação aos análogos de GLP-1.

Próximos passos

A pesquisadora Katrin Svensson, autora sênior do estudo, cofundou uma empresa para conduzir testes clínicos em humanos. Randy J. Seeley, professor de cirurgia da Universidade de Michigan, destacou que a principal incerteza é a segurança do composto para uso prolongado, requisito fundamental no tratamento crônico da obesidade.

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Imagem: Internet

Embora medicamentos baseados em GLP-1 continuem úteis — inclusive por reduzirem risco cardiovascular — o BRP pode se tornar uma alternativa para um problema que afeta cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo, ressaltou Giles Yeo. Quanto maior o número de opções terapêuticas, afirmou o especialista, maiores as chances de cada paciente encontrar um regime eficaz e sustentável.

Com informações de Folha de S.Paulo

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