Em artigo publicado no blog “Vida de Alcoólatra”, a jornalista Alice S. recorda os primeiros meses de recuperação do alcoolismo e relata que, naquele período, buscava reconhecimento de familiares e amigos ao exibir a ficha de Alcoólicos Anônimos (AA) que marcava 30 dias sem bebida.
Segundo a autora, o AA entrega fichas simbólicas aos novos participantes para acompanhar cada aniversário de sobriedade. Ela lembra ter convidado pais e irmãos para a cerimônia de um ano sem álcool e, mais tarde, apenas o pai — também alcoólatra em recuperação — quando completou sete anos.
A escritora destaca que, com o tempo, percebeu que a decisão de parar de beber representava um benefício pessoal, e não um gesto para agradar terceiros. Entre as mudanças listadas estão acordar sem ressaca, recordar plenamente o dia anterior e não apresentar hematomas de origem desconhecida.
O processo de autoconhecimento, reforça Alice, envolve “olhar para dentro”, atitude que descreve como uma das mais difíceis, mas que pratica diariamente. Acolhendo orientação de seu terapeuta, ela passa a limitar o tempo no Instagram para evitar comparações e reduzir a busca por “likes”, comportamento que associa à antiga necessidade de aplausos nos primeiros passos da recuperação.
Imagem: Internet
Mesmo obrigada a acessar a rede social pelo trabalho ao menos uma vez por dia, a jornalista afirma priorizar atividades como a leitura de livros e brincadeiras com o cachorro. Para ela, a vida em sobriedade inclui aceitar sugestões externas e ouvir mais do que falar, ainda que não haja plateia aplaudindo.
Com informações de Folha de S.Paulo





