Mais de 40% do faturamento global da Philip Morris International (PMI) passou a vir de produtos classificados como “livres de fumaça”, segundo o balanço do primeiro trimestre de 2026. O dado foi destacado pelo CEO da companhia, Jacek Olczak, em entrevista concedida em Washington.
No período, as vendas de dispositivos como sachês de nicotina, vapes e o tabaco aquecido IQOS – todos vetados no Brasil – avançaram 24,7% ante o mesmo trimestre de 2025. Os itens combustíveis, baseados no cigarro tradicional, cresceram 6,8%.
Meta de reduzir o cigarro
Olczak afirmou que o cigarro “praticamente desaparecerá” em alguns mercados ao longo da próxima década, desde que haja cooperação entre setor privado e agências reguladoras. Como exemplo, citou o Japão, onde a oferta de alternativas sem combustão teria contribuído para cortar pela metade o número de fumantes em dez anos.
Para o executivo, países que mantêm a proibição desses dispositivos, como Brasil, Vietnã e Turquia, correm o risco de ver o consumo de cigarros crescer. “Se o Brasil continuar o que está fazendo, daqui a 40 anos haverá mais fumantes do que hoje”, declarou.
Restrição no Brasil
No território brasileiro, a PMI produz apenas cigarros convencionais em Santa Cruz do Sul (RS), com marcas como Marlboro, L&M e Chesterfield. Desde 2009, a Anvisa barra a importação, publicidade e venda de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), grupo que engloba vapes, tabaco aquecido e vaporizadores de ervas.
Já a FDA, agência sanitária dos Estados Unidos, autoriza a comercialização do IQOS e renovou a permissão neste mês. O órgão ressalta que a migração completa do cigarro para o sistema reduz a exposição a substâncias tóxicas, embora alerte que “não existe produto de tabaco seguro”. A venda é proibida a menores de 21 anos no país.
Peso da combustão
Olczak sustenta que a combustão do tabaco é o principal fator de risco. “Se você queima qualquer matéria orgânica, vai inalar centenas de substâncias tóxicas; algumas são cancerígenas”, disse. Segundo ele, a nicotina “é viciante, mas não cancerígena”.
Imagem: Internet
O executivo rejeita a tese de que os novos dispositivos atraiam adolescentes. “O IQOS é vendido globalmente e não vemos níveis preocupantes de uso entre jovens”, afirmou.
Investimentos focados
Em 2025, 99,7% do orçamento de pesquisa e desenvolvimento da PMI foi destinado a produtos sem fumaça. Desde 2008, os aportes somam US$ 16 bilhões (aproximadamente R$ 80 bilhões).
Apesar do recuo global no número de usuários de tabaco – de 1,38 bilhão em 2000 para 1,2 bilhão em 2024, segundo a OMS –, um em cada cinco adultos ainda consome o produto. A PMI contabilizava 43 milhões de consumidores de suas alternativas sem combustão em 106 mercados até o fim de 2025.
Com informações de Folha de S.Paulo





