Seis medicamentos e vacinas comuns são associados a menor risco de demência, indicam estudos

Pesquisas recentes apontam que seis medicamentos ou vacinas amplamente utilizados podem estar ligados a uma redução significativa no risco de desenvolver demência, incluindo Alzheimer. Os achados abrangem imunizantes contra gripe e herpes-zóster, fármacos para pressão arterial, colesterol e diabetes, além de anti-inflamatórios.

Vacina contra gripe

Diversos estudos observaram que idosos imunizados anualmente contra a gripe apresentaram risco até 40% menor de demência em comparação a não vacinados. Um trabalho divulgado no início deste mês mostrou que a dose de alta concentração, recomendada para pessoas a partir de 65 anos, oferece proteção adicional frente à dose padrão. Segundo o neurologista Paul Schulz, da UTHealth Houston (EUA), o efeito parece vir da própria vacina, e não apenas de comportamentos mais saudáveis dos vacinados.

Vacina contra herpes-zóster

Levantamentos em vários países revelaram queda de 15% a 20% na incidência de demência entre quem recebeu o imunizante contra herpes-zóster. Parte da evidência envolve a versão mais recente da vacina, Shingrix, amplamente prescrita nos Estados Unidos. Para o epidemiologista Pascal Geldsetzer, da Knight Initiative for Brain Resilience em Stanford, o conjunto de dados configura um “ensaio clínico natural” que sugere relação causal.

Medicamentos para pressão alta e colesterol

Estatinas e anti-hipertensivos têm sido associados a uma redução de 10% a 15% no risco de demência. Ensaios clínicos, porém, apresentam resultados variados: um estudo chinês de 2025 constatou menor incidência da doença após quatro anos de tratamento para hipertensão, enquanto pesquisa de 2009 não encontrou benefício com estatinas em pacientes com doença vascular. Dois grandes estudos ainda investigam se o uso desses fármacos apenas para prevenir demência é justificável.

Anti-inflamatórios

Revisão científica recente incluiu anti-inflamatórios entre as classes que podem proteger o cérebro ao reduzir a inflamação, fator ligado ao Alzheimer. Contudo, análises específicas sobre anti-inflamatórios não esteroides mostraram resultados inconsistentes: algumas apontaram menor risco com ibuprofeno, outras não viram correlação ou indicaram risco aumentado. Uma revisão de 2020 concluiu não haver evidência para recomendar aspirina ou outros AINEs com esse objetivo.

Medicamentos para diabetes tipo 2

Metformina e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2) demonstram queda modesta no risco de demência, possivelmente por controlarem açúcar e insulina no sangue, reduzindo inflamação e níveis de beta-amiloide no cérebro. Ensaios clínicos avaliando o impacto direto desses remédios na cognição estão em andamento.

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Imagem: Internet

Análogos de GLP-1

Estudos observacionais indicaram que pessoas com diabetes que usam análogos de GLP-1, como a semaglutida (Ozempic), tiveram risco até 45% menor de Alzheimer. No entanto, dois ensaios que testaram a forma oral do fármaco para retardar o declínio cognitivo não apontaram benefício, e pesquisadores defendem mais investigações antes de qualquer indicação preventiva.

Apesar dos indícios promissores, especialistas reforçam que a maior parte das evidências é observacional e que apenas ensaios clínicos robustos poderão confirmar a eficácia desses medicamentos ou vacinas na prevenção da demência.

Com informações de Folha de S.Paulo

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