Doenças psicossomáticas: estresse transforma emoções em sintomas físicos, dizem especialistas

Contrações nos vasos sanguíneos, aceleração dos batimentos cardíacos, tremores e dores abdominais são alguns dos sinais que podem surgir quando o corpo reage a emoções intensas. O fenômeno, classificado como psicossomático, ocorre quando fatores emocionais desencadeiam ou agravam manifestações físicas, explicam especialistas em saúde mental e medicina.

Como o processo começa

De acordo com a gastroenterologista Giulia Enders, autora do livro “A Linguagem do Organismo”, situações avaliadas pelo cérebro como ameaçadoras ativam o sistema nervoso central, que aciona o sistema nervoso autônomo – responsável por controlar funções como batimentos cardíacos, respiração e digestão. A liberação de cortisol e adrenalina provoca estreitamento das veias, aumento da glicose no sangue e outras modificações que preparam o organismo para reagir ao “perigo”.

Quando vira problema

O médico Avelino Luiz Rodrigues, professor do Instituto de Psicologia da USP e especialista em psicossomática, afirma que tensão emocional costuma ser acompanhada de tensão muscular, o que pode resultar em dores, visão turva ou pálpebras tremendo. Se essas descargas se repetem com frequência ou se mantêm por longos períodos, o estresse passa de agudo a crônico.

Segundo a psicóloga Denise Ramos, docente da PUC-SP, a sobrecarga emocional permanente impede que o corpo retorne à homeostase (equilíbrio). Nessa fase, apenas a expectativa de um evento desagradável já basta para disparar reações físicas.

Condições associadas

Entre os problemas que podem ter origem ou piora ligada ao estresse crônico estão gastrite, hipertensão, úlceras, distúrbios do sono, cefaleias, enxaqueca, síndrome do intestino irritável, doenças autoimunes, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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Identificando o limite

Para distinguir uma resposta normal a uma situação estressante de um quadro crônico, os especialistas recomendam observar a frequência e a intensidade dos sintomas. “Se a pessoa está sentada em casa, sem nenhum perigo aparente, e mesmo assim sente falta de ar, aperto no peito ou dor abdominal, é sinal de que precisa buscar ajuda”, alerta Ramos.

Tratamento e prevenção

Os profissionais ressaltam que o uso de medicamentos para aliviar sintomas físicos pode ser insuficiente quando a origem é emocional. A combinação de acompanhamento médico e terapia psicológica é considerada o caminho mais eficaz. Mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e períodos adequados de descanso, também colaboram para reduzir o estresse.

Com informações de Folha de S.Paulo

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