No segundo dia do 7º Simpósio da Rádio Nacional, realizado na quinta-feira, 21, pesquisadores, gestores de acervos, especialistas em rádio digital e representantes de emissoras públicas e privadas discutiram estratégias para conservar a memória radiofônica brasileira e projetar o meio para a era digital. O encontro integrou as comemorações pelos 90 anos da Rádio Nacional.
Memória em foco
Na mesa “Importância histórica dos acervos das emissoras públicas e privadas: como preservar e ativar?”, o presidente do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), Cesar Miranda Ribeiro, ressaltou a relevância do acervo da Rádio Nacional para a instituição. Segundo ele, o MIS mantém, desde a década de 1970, o maior conjunto externo de registros da emissora, somando mais de 53 mil itens, entre partituras, documentos iconográficos, acetatos e LPs.
Estudo apresentado pela jornalista e doutoranda Akemi Nitahara reforçou essa ligação, destacando o papel da Rádio Nacional na consolidação da cultura de massa e na história da radiodifusão brasileira.
Digitalização e desafios
A gerente de acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Maria Carnevale, detalhou o processo de digitalização conduzido pela empresa. O arquivo reúne 7.280 fitas de rolo, 5.969 acetatos, 3.319 CDs e mais de 153 mil páginas de roteiros de radionovelas. Atualmente, apenas 28,2% desse material está digitalizado.
Maria explicou que a EBC utiliza inteligência artificial para acelerar pesquisas, mas frisou a necessidade de revisão humana rigorosa. “Você produz e guarda para o outro. Isso não pode ser perdido de vista”, afirmou, lembrando que metadados precisos — quem, o quê, quando e onde — são essenciais para localizar conteúdos históricos.
Rádio no ambiente multiplataforma
Na discussão sobre novos formatos, a coordenadora artística da Rádio Globo, Thays Gripp, apresentou a reformulação da emissora, hoje integrada a TV, redes sociais, podcasts e transmissões on-line. “A Rádio Globo está em todas as plataformas de mídia”, disse, acrescentando que pesquisas digitais orientam qualquer mudança na grade.
Imagem: Internet
Bruno Pinheiro, da Ozen FM, mostrou ferramentas que aplicam inteligência artificial para transformar trechos radiofônicos em podcasts e ressaltou que a audiência do rádio já pode ser mensurada no digital. Para ele, “o podcast falado, bem editado, é herdeiro do antigo rádio AM”.
A pesquisadora Juliana Paiva abordou métricas de audiência no chamado rádio 3.0, enquanto Gilberto Ramos, da Sputnik Brasil, destacou o alcance internacional da agência — presente em mais de 40 países e 32 idiomas — e defendeu o rádio como meio democrático. “Quem dizia que o rádio iria acabar errou redondamente”, concluiu.
O simpósio continua com transmissões ao vivo pelo YouTube e programação disponível on-line.
Com informações de Agência Brasil





