Anvisa avalia novas regras para controle de canetas emagrecedoras e alerta sobre riscos do uso indiscriminado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute nesta semana uma instrução normativa que estabelece procedimentos e exigências técnicas para medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”.

Avanço do mercado ilegal preocupa

Produtos à base de semaglutida, tirzepatida e liraglutida só podem ser vendidos com receita, porém a popularização desses fármacos impulsionou o uso sem acompanhamento médico e o comércio clandestino, incluindo versões manipuladas sem registro. Para conter a prática, a Anvisa intensificou fiscalizações, criou grupos de trabalho e apreendeu 1,3 milhão de unidades com irregularidades de transporte ou armazenamento.

Ação conjunta com conselhos profissionais

Em abril, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) firmaram, junto à Anvisa, carta de intenção para promover o uso racional das canetas e trocar informações técnicas.

Especialistas destacam benefícios e riscos

O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Neuton Dornelas, considera os agonistas do GLP-1 “revolucionários” no tratamento de obesidade e diabetes, pois favorecem perda média de peso de 15% com semaglutida e até 25% com tirzepatida, além de reduzir risco cardiovascular. Entretanto, ele alerta para o consumo despreocupado e de origem duvidosa.

Excesso de insumos chama atenção

Levantamento da Anvisa aponta que, no segundo semestre de 2025, mais de 100 kg de insumos para manipulação desses medicamentos foram importados — quantidade suficiente para cerca de 20 milhões de doses, volume incompatível com a demanda regular do país.

Proposta de suspensão temporária da manipulação

Dornelas apoia a medida que obriga farmácias a reterem receitas desde junho de 2025 e sugere suspender a manipulação de agonistas do GLP-1 por até um ano, alegando falta de estrutura para fiscalizar o fluxo atual.

Efeitos adversos e sinais de alerta

Entre os efeitos mais comuns estão náuseas e vômitos. Quando adquiridos de fontes inseguras, os riscos aumentam, e a Anvisa já registra casos graves, como pancreatite. Dor abdominal intensa e persistente é o principal sinal de que o paciente deve procurar assistência médica.

Quatro pilares para uso seguro

Dornelas recomenda: adquirir medicamentos registrados, obter prescrição e acompanhamento médico, comprar apenas em farmácias confiáveis e respeitar as doses indicadas. Ele reforça que não se deve recorrer ao mercado paralelo.

As discussões na diretoria colegiada da Anvisa continuam sem data definida para conclusão da nova instrução normativa.

Com informações de Agência Brasil

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