O ginecologista Marcelo Arantes e Silva, 50 anos, teve a prisão preventiva confirmada nesta sexta-feira (24) após audiência de custódia em Goiânia (GO). Ele foi detido na quinta-feira (23) sob suspeita de estuprar 23 pacientes durante consultas realizadas em clínicas particulares da capital e de Senador Canedo, na região metropolitana.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam que dez vítimas foram atendidas em Goiânia e 13 em Senador Canedo. O Ministério Público já apresentou denúncia à Justiça em pelo menos um dos casos.
Conforme relato da delegada Amanda Menuci, responsável pelo inquérito, três mulheres procuraram a Delegacia da Mulher em 19 de março relatando abusos semelhantes, o que reforçou o pedido de prisão. Segundo ela, o médico seguia um modus operandi que incluía toques indevidos nas primeiras consultas e perguntas invasivas sobre a vida sexual das pacientes.
Os depoimentos ainda descrevem exames feitos sem luvas, questionamentos sobre prazer durante o atendimento e, em alguns casos, prática de sexo oral dentro do consultório. As condutas são investigadas como estupro de vulnerável, uma vez que as pacientes estariam física e psicologicamente fragilizadas diante da autoridade médica.
Arantes ficou em silêncio no depoimento prestado na delegacia e foi encaminhado ao presídio de Senador Canedo. A defesa alega que a prisão é desnecessária, sustenta a inocência do médico e informa que recorrerá. Os advogados dizem ainda que o profissional se afastou da atividade, colabora com a apuração e já foi absolvido em outro processo.
O histórico de denúncias começa em 2017, em Senador Canedo, com novo registro em 2020 na capital. Entre 2025 e 2026, ao menos três mulheres formalizaram queixa contra o ginecologista. A polícia não descarta mais vítimas e divulgou nome e imagem do investigado para estimular outros relatos.
Imagem: Internet
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro profissional de Marcelo Arantes foi suspenso por decisão judicial. O órgão apura a conduta em processo sigiloso e solicitou esclarecimentos aos responsáveis técnicos das unidades onde o médico atendia.
A prisão não tem prazo determinado e os inquéritos continuam em andamento.
Com informações de Folha de S.Paulo





