TV Brasil exibe hoje reportagem sobre a popularização das “canetas emagrecedoras”

A edição desta segunda-feira (27) do programa Caminhos da Reportagem põe em foco o crescimento do uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. O episódio, intitulado “O boom das canetas emagrecedoras”, vai ao ar às 23h, na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Revolução terapêutica e controvérsias

Os fármacos chegaram ao país em 2017 e passaram a ser adotados tanto para controle da obesidade quanto do diabetes tipo 2. Segundo o endocrinologista Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, os produtos — descritos pelo especialista como “medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade e do diabetes” — representam um avanço por reduzir peso e riscos cardiovasculares. A indicação, porém, deve obedecer a critérios técnicos avaliados por profissionais de saúde.

Impacto da patente e produção nacional

A patente da semaglutida, princípio ativo presente em marcas como Ozempic e Wegovy, expirou em 20 de março deste ano, abrindo espaço para concorrentes. Ainda assim, a fabricação do insumo farmacêutico ativo continua complexa, observa o advogado Henderson Fust, especialista em bioética e regulação da saúde. O Ministério da Saúde informou ter pedido prioridade à Anvisa no registro de medicamentos com semaglutida e liraglutida, de olho em futuras parcerias de produção nacional. Em 2025, contudo, a Conitec deu parecer contrário à incorporação dessas substâncias no SUS, alegando impacto superior a R$ 8 bilhões — o dobro do orçamento anual do Programa Saúde Popular.

Desigualdade no acesso

Paciente com diabetes tipo 2 há 13 anos, Francenobre Costa de Sousa, de 58 anos, convive com dificuldades para controlar a glicemia mesmo usando insulina. A médica de família Alexandra Padilha, que a acompanha na Unidade Básica de Saúde, acredita que o tratamento injetável poderia até dispensar o uso diário de insulina, além de ajudar na redução do Índice de Massa Corporal (IMC).

Economia moral da magreza

Para a pesquisadora Fernanda Baeza Scagliuzi, das Faculdades de Saúde Pública e de Medicina da USP, a popularidade das canetas reforça a chamada “economia moral da magreza”, na qual um corpo esbelto é associado a virtude e disciplina, enquanto a gordura corporal ainda carrega estigmas de preguiça e falta de autocontrole.

Estilo de vida segue essencial

A dentista Bárbara Lopes já utilizou a medicação, voltou a ganhar peso e reiniciou o tratamento durante a perimenopausa, período em que também enfrenta pré-diabetes e ansiedade. Sociedades médicas reiteram que o uso dos fármacos deve vir acompanhado de reeducação alimentar e exercícios. A geriatra Marcela Pandolfi ressalta que mudanças no estilo de vida são cruciais para manter o resultado obtido com o medicamento.

Fiscalização reforçada

Com o aumento da oferta e da demanda, Anvisa, forças de segurança e Receita Federal intensificaram a fiscalização sobre importação, manipulação, prescrição e venda irregular desses produtos, buscando coibir crimes contra a saúde pública e a economia nacional.

O Caminhos da Reportagem pretende discutir esses e outros aspectos ligados ao avanço das “canetas emagrecedoras”, reunindo especialistas, pacientes e autoridades para explicar benefícios, riscos e desafios de acesso a essa nova classe de medicamentos.

Com informações de Agência Brasil

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