Exposição às redes sociais leva geração Z a antecipar procedimentos estéticos antes dos 30

A geração Z, formada por quem nasceu entre 1997 e 2012, tem recorrido a procedimentos estéticos cada vez mais cedo, motivada pelo receio de envelhecer e pela convivência diária com imagens filtradas nas redes sociais.

A preocupação aparece tanto em rotinas rigorosas de cuidados quanto na procura por intervenções em consultórios. Raffael Brasil, 27 anos, acorda às 5h15 para treinar em jejum, consome um shake com diversos suplementos e faz aplicações semestrais de toxina botulínica. Entre os 24 e os 26 anos, o segurador passou por microagulhamentos, bioestimuladores, fios de PDO, preenchimento de olheiras e peeling, mas desistiu do excesso após se sentir “como uma boneca de cera”.

Para a comunicadora de beleza Vanessa Rozan, doutoranda em psicologia social na PUC-SP, a exposição contínua a filtros e ferramentas de edição intensifica a autocrítica e alimenta o fenômeno conhecido como “dismorfia do Snapchat”, quando detalhes naturais passam a ser vistos como defeitos.

O gerontólogo Alexandre Kalache acrescenta que os jovens convivem pouco com pessoas idosas, o que torna a velhice algo distante e mais temido. “Pergunto quando eles conversaram por meia hora com alguém acima de 80 anos que não fosse parente, e quase ninguém responde”, afirma.

A médica Maria Eduarda Pires, 24, ilustra o cenário: já fez preenchimentos de olheiras e lábios, usou canetas emagrecedoras e aplicou botox. Na última sessão, marcada apenas para tratar bruxismo, aceitou também injeções na testa ao notar linhas finas sugeridas pela profissional.

Procedimentos em alta

Levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) revela que, entre 2018 e 2024, a aplicação de toxina botulínica foi o procedimento estético mais realizado por pessoas de 18 a 34 anos no mundo, com aumento de 29,9% — de 1,3 milhão para 1,7 milhão de aplicações.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Marcelo Sampaio, observa crescimento semelhante no país, impulsionado por jovens e homens. “Hoje, eles preferem procedimentos cosméticos minimamente invasivos a cirurgias”, diz.

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Imagem: Internet

Influência do mercado de beleza

Segundo a dermatologista Sylvia Ypiranga, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o movimento resulta de maior acesso à informação, popularização do skincare, avanços tecnológicos e influência das redes sociais. Ela elogia o aumento do uso de protetor solar, mas alerta que muitas decisões são guiadas apenas pela estética.

Na indústria, Harumi Iamamoto, da empresa alemã Dr. Wolff, relata “rejuvenescimento” do público consumidor. Dados de campanhas digitais mostram que, no Brasil, homens de 25 a 34 anos concentram 21% do interesse por produtos antiqueda de cabelo; na Espanha, a faixa etária predominante é de 35 a 44 anos.

O que os especialistas recomendam

Ypiranga orienta iniciar a fotoproteção na infância e tratar acne na adolescência. A partir dos 20 anos, procedimentos leves podem ser considerados individualmente. Botox é indicado apenas quando há musculatura muito expressiva, e lasers podem tratar acne, manchas ou cicatrizes. Antes dos 18 anos, a recomendação é limitar intervenções a questões dermatológicas, evitando fins puramente estéticos.

Preenchimentos faciais, segundo a médica, devem ser avaliados caso a caso em pacientes jovens, levando em conta riscos, efeitos e estágio de desenvolvimento.

Com informações de Folha de S.Paulo

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