Primeiro ovo fossilizado de ancestral de mamíferos é identificado por cientistas

São Paulo – Pesquisadores localizaram o primeiro ovo fossilizado contendo embrião de Lystrosaurus, criatura que viveu há aproximadamente 250 milhões de anos e pertence ao grupo dos sinapsídeos, ancestrais diretos dos mamíferos modernos. O achado foi descrito em 9 de abril na revista científica Plos One.

Assinam o estudo Julien Benoit e Jennifer Botha, do Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo (África do Sul), e Vincent Fernandez, da Unidade Europeia de Radiação de Síncrotron (ESRF), em Grenoble (França).

Exame em síncrotron revelou estruturas internas

O trabalho utilizou feixes de luz de síncrotron de alta resolução, cujo poder de penetração é dez trilhões de vezes maior que o de aparelhos de raio-X convencionais. A técnica possibilitou gerar imagens 3D detalhadas do embrião preservado dentro do fóssil, ainda envolto em matriz rochosa.

Coleta feita na África do Sul

Três espécimes de Lystrosaurus perinatais, escavados em 2008 na bacia Karoo, África do Sul, foram analisados. Um deles apresentava postura encurvada, sugestiva de animal ainda no interior do ovo. A confirmação veio com duas evidências principais:

  • casca fina e flexível, anterior ao surgimento de ovos de casca dura (presentes apenas 50 milhões de anos depois);
  • presença de sínfise mandibular incompleta, característica que desaparece após o nascimento em sinapsídeos e mamíferos atuais.

Evidência encerra debate sobre reprodução dos sinapsídeos

Segundo Benoit, após quase dois séculos de pesquisas sem registro de ovos desse grupo, o fósforo comprova que sinapsídeos eram ovíparos. O resultado também contribui para refinar hipóteses sobre a origem da lactação. Ovos grandes, como o do Lystrosaurus, continham vitelo suficiente para nutrir o filhote, indicando que a secreção láctea inicialmente servia a proteger o ovo contra ressecamento, e não para amamentar.

Primeiro ovo fossilizado de ancestral de mamíferos é identificado por cientistas - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Os autores estimam que a transição para a alimentação por leite tenha ocorrido entre 250 e 200 milhões de anos atrás, período posterior à extinção em massa do Permiano. A adaptação à aridez e a cobertura dos ovos por secreções podem ter favorecido a sobrevivência do Lystrosaurus nesse cenário.

Com informações de Folha de S.Paulo

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