Anvisa manda recolher detergentes e desinfetantes da Ypê após identificação de Pseudomonas aeruginosa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca Ypê cujos lotes terminam em 1. A decisão, publicada na quinta-feira (7), foi tomada depois que testes apontaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, microrganismo capaz de provocar infecções graves, principalmente em pessoas com o sistema imunológico debilitado.

Microrganismo de vida livre e resistente

O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, membro da Academia Nacional de Medicina e professor aposentado da UFRJ, explicou que a P. aeruginosa é considerada de “vida livre”, ou seja, vive no ambiente e não no corpo humano, como ocorre com a Escherichia coli ou o meningococo. Segundo ele, a bactéria apresenta resistência natural a diversos antibióticos e costuma infectar pacientes internados que utilizam traqueostomia, respirador ou cateter venoso.

O especialista acrescentou que o microrganismo também pode causar infecção urinária e complicações respiratórias em pessoas com doenças pulmonares crônicas, além de se proliferar em objetos úmidos, como esponjas de cozinha e panos de chão.

Maior ameaça a imunocomprometidos

A patologista Raiane Cardoso Chamon, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou que indivíduos imunocomprometidos correm risco elevado. Em pacientes com fibrose cística, por exemplo, a bactéria é causa frequente de pneumonia de difícil tratamento. Conforme a médica, mesmo pessoas saudáveis podem adoecer, caso da otite de nadador, adquirida em piscinas, rios ou praias contaminadas.

No ambiente hospitalar, onde há uso intenso de antibióticos, a P. aeruginosa tende a desenvolver ainda mais resistência, o que complica o tratamento de infecções em usuários de sondas urinárias, ventilação mecânica ou com infecções na corrente sanguínea.

Possível falha na produção

Chamon acredita que a contaminação dos produtos Ypê ocorreu durante a fabricação, possivelmente por falta de controle microbiológico em algum insumo. Ambientes úmidos, como os que envolvem detergentes, favorecem a multiplicação da bactéria. Há limites aceitáveis de microrganismos em itens de limpeza, mas o número identificado teria ultrapassado o patamar seguro, informou a médica.

Posicionamento da Ypê

Em nota divulgada na quinta-feira (7), a Ypê afirmou estar colaborando integralmente com a Anvisa, realizando análises técnicas e testes independentes. A empresa prometeu adotar imediatamente eventuais melhorias recomendadas pela agência em seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, elaborado em conjunto com o órgão desde dezembro de 2025. Procurada novamente nesta sexta-feira (8), a companhia não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Com informações de Agência Brasil

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