Autoridades sanitárias de vários países tentam rastrear dezenas de pessoas que desembarcaram do navio de cruzeiro holandês MV Hondius antes da confirmação de um surto de hantavírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou cinco infecções e três mortes ligadas ao episódio.
Segundo a OMS, trata-se da linhagem andina do hantavírus, transmitida principalmente por contato próximo entre pessoas. O período de incubação pode chegar a seis semanas, o que mantém a possibilidade de surgirem novos casos.
Viagem e desembarques
Operado pela Oceanwide Expeditions, o cruzeiro de luxo zarpou em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com cerca de 150 passageiros e tripulantes de 28 países. Em 24 de abril, dezenas de viajantes deixaram a embarcação em Santa Helena, ilha britânica no Atlântico Sul, dias antes de o primeiro caso ser identificado em 4 de maio. A rota prevê chegada às Ilhas Canárias em 10 de maio.
Resposta internacional
A OMS mantém contato com autoridades de 12 países — Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça e Turquia — para monitorar cidadãos que retornaram para casa. Especialistas ouvidos pela imprensa classificam a resposta global como “caótica e descoordenada”, embora considerem baixo o risco para a população em geral.
Situação por país
Reino Unido – Sete britânicos desembarcaram em Santa Helena. Três são casos suspeitos; dois homens tiveram a infecção confirmada. Um deles, o ex-policial Martin Anstee, 56, está estável na Holanda. O outro está em terapia intensiva na África do Sul. Dois britânicos permanecem em isolamento voluntário no Reino Unido.
Estados Unidos – Agências de saúde monitoram viajantes nos Estados da Geórgia, Texas, Arizona, Virgínia e Califórnia. Nenhum apresenta sintomas. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) classificou o evento como emergência nível 3, o mais baixo.
Argentina – Investiga se a infecção teve origem no país, onde um casal holandês realizou excursões de observação de aves antes do embarque.
Cabo Verde – Negou atracação ao navio, que ficou fundeado próximo ao litoral até seguir para as Canárias em 6 de maio.
França – Oito franceses que voaram com uma vítima holandesa foram localizados; um apresentou sintomas leves e aguarda resultado de exame.
Alemanha – Uma passageira alemã morreu após desenvolver febre em 28 de abril; seu corpo permanece a bordo.
Imagem: Internet
Holanda – Treze holandeses estão no navio. Entre as três mortes, há um casal do país. Uma holandesa hospitalizada em Amsterdã testou negativo para o vírus.
Filipinas – Dos 38 tripulantes filipinos, nenhum caso foi registrado; autoridades consideram o risco “extremamente baixo”.
Espanha – O Hondius deve atracar em Tenerife no fim de semana com 146 pessoas de 23 nacionalidades. Todos serão avaliados antes de prosseguir viagem. O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, manifestou oposição à chegada. Quatorze passageiros espanhóis serão transferidos para quarentena em Madri. Um caso suspeito foi notificado em Alicante.
Suíça – Um suíço que desembarcou em Santa Helena testou positivo e recebe cuidados em Zurique.
Transmissão inédita em navios
O hantavírus geralmente é transmitido por aerossóis de urina, fezes ou saliva de roedores. Casos de contágio entre humanos são raros, e esta é a primeira ocorrência documentada em um navio, de acordo com a OMS.
Enquanto o MV Hondius segue para as Canárias, equipes de saúde em vários continentes tentam localizar e monitorar todos os viajantes que possam ter sido expostos ao vírus.
Com informações de Folha de S.Paulo





