Surto de ebola no Congo causa 131 mortes e leva OMS a declarar emergência internacional

A República Democrática do Congo enfrenta uma escalada de casos de ebola. Autoridades de saúde locais informaram nesta terça-feira (19) que o surto já provocou 131 mortes e 513 casos suspeitos.

Diante da velocidade da transmissão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou emergência de saúde pública de importância internacional. Segundo o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, há “profunda preocupação com a escala e a velocidade” da epidemia.

O vírus

O ebola é uma doença viral grave que afeta humanos e primatas não humanos. Cinco subespécies do vírus já foram descritas: Zaire, Sudão, Taï Forest, Bundibugyo e Reston (esta última restrita a animais). O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo, para a qual não existem vacina nem tratamento específico aprovados. Em surtos anteriores — Uganda, 2007, e Congo, 2012 — a mortalidade variou de 30% a 50%.

Transmissão

A infecção ocorre por contato direto com sangue, tecidos ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, vivos ou mortos. Saliva, urina, fezes, leite materno e sêmen estão entre os fluidos capazes de espalhar o vírus. Objetos e superfícies contaminados também representam risco. Não há evidência de transmissão pelo ar ou pelo suor.

O período de incubação varia de dois a 21 dias, e não há contágio antes do início dos sintomas.

Origem e histórico

Embora a origem exata ainda seja desconhecida, morcegos frugívoros do grupo Pteropodidae são apontados como hospedeiros prováveis. O ebola foi identificado pela primeira vez em 1976 em surtos no sul do Sudão e no norte do então Zaire, hoje República Democrática do Congo, próximo ao rio que deu nome à doença.

Situação atual na África

O epicentro do surto está na província de Ituri, região que faz fronteira com Uganda e Sudão do Sul. Agências internacionais acompanham o avanço dos casos pelo risco de propagação regional.

Sintomas e gravidade

Os primeiros sinais incluem febre, dor de cabeça, fraqueza intensa, diarreia, vômitos, dor abdominal, perda de apetite, dor de garganta e manifestações hemorrágicas. Após a primeira semana, parte dos pacientes pode evoluir para comprometimento de fígado e rins, hemorragias internas e externas, choque circulatório e falência de múltiplos órgãos.

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Imagem: Internet

Diagnóstico

O exame de referência é o teste PCR, feito com duas amostras de sangue, sendo a segunda coletada pelo menos 48 horas após a primeira. No Brasil, as análises são realizadas pelo Instituto Evandro Chagas (IEC). Pacientes com diagnóstico confirmado devem ser isolados, e profissionais de saúde precisam utilizar equipamentos de proteção individual.

Vacinas e tratamento

Existem vacinas experimentais para algumas cepas, como a Zaire, mas nenhuma aprovada para a Bundibugyo. A abordagem terapêutica é de suporte clínico, com hidratação e controle de sintomas. Recomenda-se evitar áreas com surto ativo, higienizar as mãos com frequência e impedir contato com pessoas contaminadas.

Risco global e medidas de prevenção

A OMS não classifica o cenário atual como pandemia. O maior risco recai sobre países vizinhos ao Congo. Governos intensificaram vigilância, rastreamento de contatos e triagens em aeroportos. Os Estados Unidos anunciaram, na segunda-feira (18), restrições temporárias a viajantes recentes da República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul, além de monitoramento de passageiros vindos da região.

Não há registros de ebola no Brasil, e o Ministério da Saúde considera baixo o risco para a população local, mantendo monitoramento de viajantes provenientes de áreas afetadas.

Com informações de Folha de S.Paulo

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