Emissoras públicas discutem novos formatos para ampliar conteúdos regionais e financiamento

Representantes de emissoras públicas de todo o país se reuniram nesta terça-feira (19) no Rio de Janeiro para o encontro anual da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). Na pauta, a busca por modelos que reforcem parcerias, ampliem a presença de produções regionais na programação nacional e garantam sustentabilidade financeira ao setor.

Reality show de Caruaru vira exemplo

Um dos cases apresentados foi o A Voz Dela, reality produzido pela PrefTV, emissora pública de Caruaru (PE), que seleciona uma locutora para o São João local. Em sua segunda edição, transmitida ao vivo em 2026 pela TV e internet, o programa mobilizou a cidade ao colocar 11 mulheres — muitas sem experiência em comunicação — em provas de improvisação. “Queríamos uma voz feminina em um dos palcos principais e abrimos espaço para mulheres comuns realizarem esse sonho”, explicou a apresentadora e jornalista Rebeca Nunes.

Mais espaço na grade da TV Brasil

Coordenada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a RNCP reúne majoritariamente rádios e TVs não comerciais. Segundo Welder Alves, gerente do Sistema Encontro das Águas (ex-TV Cultura do Amazonas), os conteúdos das afiliadas ocupam hoje 11,3% da grade da TV Brasil entre 6h e meia-noite. “Há espaço para aumentar essa participação”, afirmou. Para isso, a rede pretende criar câmaras temáticas que elaborem estratégias de veiculação nacional.

EBC quer relação horizontal

A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, destacou que a chegada da TV 3.0, que integra televisão e internet, exige que todas as emissoras públicas atuem no mesmo nível tecnológico. “Somos um único campo. Cada emissora deve criar seu conteúdo e se colocar na mesma prateleira, subvertendo hierarquias”, disse. O diretor-geral da empresa, David Butter, reforçou que a EBC deve funcionar como facilitadora, não apenas como cabeça de rede.

Cibele Tenório, do Comitê de Participação, Diversidade e Inclusão da EBC, defendeu uma rede “horizontal”, em que sotaques e identidades regionais estejam presentes na tela. Ela citou o edital afirmativo da Rádio Educadora da Bahia, que contratou programas independentes sobre música baiana, africana, rap e trap e ofereceu o conteúdo gratuitamente às demais afiliadas.

Carta do Rio cobra mais recursos

No encerramento do encontro, os participantes apresentaram o rascunho da Carta do Rio. O documento pede a repartição de recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP) — da qual a EBC recebeu R$ 3,8 milhões em 2025 — e defende múltiplas formas de financiamento para garantir a sustentabilidade das emissoras.

Igor Pontini, diretor-geral da Fundação Carmélia Maria de Souza, responsável pelo Sistema de Rádio e Televisão do Espírito Santo, propôs criar uma associação que reúna todas as TVs públicas. Ele também elogiou iniciativas da EBC, como a política de inovação e o apoio às novas afiliadas.

A Carta será encaminhada à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, à Casa Civil, à Secretaria-Geral da Presidência e a outros ministérios.

Com informações de Agência Brasil

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