Neurocientista rebate supostas “vantagens evolutivas” para calvície, barba ou depressão

A bióloga e neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da Universidade Vanderbilt (EUA), contestou a ideia de que características como calvície, barba, depressão, autismo ou esquizofrenia persistem por oferecer alguma vantagem adaptativa. Em coluna publicada no site da Folha, a pesquisadora classificou essas explicações como “falaciosas”.

Segundo Herculano-Houzel, a noção de que “se existe, é porque é vantajoso” deriva de uma interpretação equivocada da seleção natural. A cientista lembra que Charles Darwin buscava explicar a origem das variações entre os seres vivos e que a expressão “sobrevivência do mais apto” foi criada posteriormente, por Herbert Spencer. Para a neurocientista, a biologia já demonstrou que a variação é a regra, não a exceção.

Em palestra de um colega na Vanderbilt, relata a pesquisadora, a depressão foi apresentada como potencialmente útil por estimular a “ruminação” sobre problemas. Herculano-Houzel rebate: não há evidências de que ruminar ajude pessoas deprimidas a resolver suas dificuldades; ao contrário, o comportamento costuma ser paralisante.

A professora argumenta que todos os seres humanos nascem com cabelos porque essa é uma característica consolidada da espécie. A perda de fios com a idade, assim como a densidade da barba, representa apenas a interação entre fatores genéticos e níveis hormonais. “Calvo ou cabeludo, barbado ou não, tem gosto e lugar para todo mundo”, escreve.

O mesmo raciocínio, afirma, vale para transtornos como depressão, autismo e esquizofrenia. Essas condições resultam de variabilidade genética e de influências do ambiente, não de uma suposta adaptação favorável. Para a cientista, vinculá-las a benefícios evolutivos ignora que inúmeras outras variações embrionárias nem chegam ao nascimento justamente por não serem viáveis.

Neurocientista rebate supostas “vantagens evolutivas” para calvície, barba ou depressão - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Herculano-Houzel conclui que evolução e depressão são fatos distintos: a primeira descreve como as espécies mudam; a segunda, um estado de saúde que pode e deve ser tratado. “Remédio existe para todo mundo poder ter uma vida melhor”, resume a neurocientista.

Com informações de Folha

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