Pesquisa mostra resistência de militares e policiais dos EUA ao uso terapêutico de psicodélicos

Militares e agentes da lei norte-americanos ainda demonstram pouca abertura para terapias baseadas em psicodélicos, indica estudo publicado em março no Journal of Police and Criminal Psychology. A pesquisa ouviu 446 pessoas, das quais apenas 60 (13%) se identificaram como integrantes das Forças Armadas ou de corporações policiais.

Coordenado pela pesquisadora Alexandra Hopkins, o levantamento mediu a receptividade à psicoterapia assistida por substâncias como cetamina (já aprovada para uso médico) e psilocibina (ainda em processo de regulamentação nos EUA). Mesmo após a apresentação de dados sobre a eficácia desses compostos no tratamento de depressão e transtorno de estresse pós-traumático, a maioria dos participantes ligados à segurança pública manteve opinião negativa.

Entre os fatores correlacionados à rejeição estão idade e orientação política: quanto mais jovens os entrevistados e quanto mais alinhados ao Partido Republicano, maior a resistência. Pesquisadores apontam que o receio de efeitos profissionais também impactou a adesão; muitos uniformizados evitaram participar por temer repercussões na carreira.

A desconfiança persiste apesar do crescimento de relatos positivos entre veteranos de guerra. Grupos de ex-combatentes têm recorrido a ibogaína, ayahuasca e outros psicodélicos em clínicas no México, Costa Rica e Brasil, tema abordado no documentário “No Mar e na Guerra”. Mesmo assim, segundo o estudo, soldados e policiais continuam menos favoráveis ao tema do que a média da população norte-americana.

A resistência contrasta com o engajamento de figuras públicas como Rick Perry, ex-secretário de Energia do governo Donald Trump, que passou a defender a pesquisa com MDMA e ibogaína para tratar traumas de serviço militar. Em 2020, Trump editou ordem executiva para acelerar estudos na área, mas a mudança de percepção dentro das corporações ainda avança lentamente.

Pesquisa mostra resistência de militares e policiais dos EUA ao uso terapêutico de psicodélicos - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Estratégias de convencimento se apoiam em testemunhos de colegas de farda. A ex-agente federal aposentada Kemmi Sadler, por exemplo, lançou recentemente o livro “From the Badge to the Vine, a Journey through Duty, Trauma, and Healing”, no qual narra experiências pessoais com ayahuasca. Durante a conferência Cultura Psicodélica, realizada em São Francisco entre 17 e 19 de abril, Sadler afirmou que relatos vindos “de dentro da comunidade” podem ser decisivos para reduzir o estigma.

Apesar de avanços científicos na última década, as descobertas do estudo sugerem que a aceitação de psicodélicos como ferramenta terapêutica entre militares e policiais dos Estados Unidos continuará dependente de processos graduais de informação e de exemplos práticos de sucesso.

Com informações de Folha de S.Paulo

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