John Craig Venter, pioneiro do sequenciamento do genoma humano, morre aos 79 anos

São Paulo — O biólogo molecular e empresário norte-americano John Craig Venter, figura central na corrida para mapear o genoma humano, morreu na quarta-feira (30) em San Diego, Califórnia, aos 79 anos.

A informação foi divulgada pelo J. Craig Venter Institute, organização de pesquisa sem fins lucrativos fundada pelo cientista, com sedes em San Diego e Rockville, no estado de Maryland. Segundo o instituto, Venter havia sido internado recentemente por complicações decorrentes do tratamento contra um câncer.

Disputa pelo genoma humano

Na década de 1990, Venter decidiu competir com o Projeto Genoma Humano — iniciativa pública de US$ 3 bilhões — ao apostar em um método mais rápido de sequenciamento, conhecido como shotgun de genoma completo. A estratégia permitiu que sua empresa, a Celera Genomics, alcançasse o consórcio governamental.

Em 2000, a Celera e o grupo rival anunciaram em conjunto a montagem dos primeiros genomas humanos, ato celebrado em cerimônia na Casa Branca com o então presidente Bill Clinton.

Primeiros marcos científicos

Em 1995, a equipe de Venter publicou a sequência completa da bactéria Haemophilus influenzae, primeiro genoma bacteriano decodificado, inaugurando uma nova era na microbiologia e acelerando a pesquisa sobre patógenos.

Para testar a viabilidade de seu método em organismos maiores, o grupo sequenciou em 2000 o genoma da mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster), fornecendo uma base comparativa valiosa para estudos genéticos.

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Imagem: Internet

Ego, equipe e reconhecimentos

Venter ganhou notoriedade por revelar que o “doador anônimo” cujo DNA a Celera analisara era o dele próprio. Apesar do temperamento competitivo, o pesquisador reunia talentos de alto nível, como o microbiologista e Nobel Hamilton O. Smith, para cumprir metas ambiciosas.

Pelos avanços na genômica, recebeu o Prêmio Nierenberg de Ciência no Interesse Público da Instituição Oceanográfica Scripps em 2007 e, dois anos depois, a Medalha Nacional de Ciência das mãos do presidente Barack Obama.

Venter deixa legado marcado pela rapidez no sequenciamento, pela popularização de técnicas genômicas e pela fundação de instituições dedicadas à biologia sintética e à pesquisa genética.

Com informações de Folha de S.Paulo

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