A queda da temperatura corporal abaixo de 36,5 °C em recém-nascidos, situação classificada como hipotermia, costuma ser associada ao frio, mas pode apontar para doenças graves, alertam pediatras.
Como o organismo reage
Segundo a médica Caroline Peev, do Sabará Hospital Infantil, o bebê reduz a circulação na pele para reter calor, o que eleva o consumo de oxigênio e glicose. A sobrecarga pode causar hipoglicemia, dificuldade respiratória e, em quadros prolongados, instabilidade cardiovascular.
Causas além do clima
Ambientes com ar-condicionado, correntes de ar, roupas inadequadas ou banho em água morna demais favorecem a perda de calor. No entanto, temperaturas abaixo de 32 °C — classificadas como hipotermia grave — podem sinalizar:
- Infecções severas, como sepse neonatal, que às vezes se manifestam sem febre;
- Distúrbios metabólicos, entre eles hipoglicemia, hipotireoidismo congênito e erros inatos do metabolismo, que reduzem a produção de energia;
- Cardiopatias congênitas, que dificultam a distribuição de calor pelo corpo;
- Problemas neurológicos, como asfixia perinatal e hemorragias intracranianas, capazes de desregular o controle térmico.
Quando procurar ajuda
Nos casos leves (36 °C a 36,4 °C), é possível realizar o reaquecimento em casa, vestindo o bebê em camadas, cobrindo cabeça, mãos e pés e mantendo-o no colo de um adulto. Para temperaturas entre 32 °C e 35,9 °C (moderada) ou inferiores a 32 °C (grave), a orientação é iniciar o aquecimento e buscar atendimento médico imediato.
A intensivista pediátrica Ingrid Naiane de Oliveira Barros, do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, adverte que banhos quentes e aquecedores próximos ao berço oferecem risco de queimaduras, o que pode agravar a perda de calor.
Imagem: Internet
Sinais de alerta
Famílias devem procurar socorro urgente se a hipotermia vier acompanhada de:
- Pele fria, pálida ou arroxeada;
- Sonolência excessiva;
- Choro fraco;
- Dificuldade para mamar;
- Respiração lenta ou irregular;
- Baixa reação a estímulos.
Bebês prematuros e aqueles com baixo peso apresentam maior vulnerabilidade, pois dispõem de menores reservas energéticas e têm o hipotálamo, responsável pela regulação térmica, ainda imaturo.
Com informações de Folha de S.Paulo





