El Niño deve intensificar risco de dengue no Brasil, com maior alerta para Sul e Sudeste

Especialistas alertam que a provável formação do El Niño entre maio e julho pode provocar aumento dos casos de dengue no Brasil, com cenário mais crítico previsto para as regiões Sul e Sudeste. A avaliação é de Thiago Salomão de Azevedo, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP e professor da Unesp.

O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico, costuma intensificar a seca no Norte e no Nordeste e elevar a ocorrência de chuvas no Sul e no Sudeste. A combinação de calor e precipitação favorece a proliferação do Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya.

“Essas áreas concentram grande parte da população brasileira e apresentam maior potencial para surtos epidêmicos”, afirma Azevedo. Na última ocorrência do El Niño, entre 2023 e 2024, o Brasil registrou recorde de temperatura global e mais de 6.000 mortes por dengue, das quais 79,7% ocorreram no Sul e no Sudeste, segundo o Ministério da Saúde.

Fatores adicionais

O pesquisador ressalta que o clima não é o único responsável pelo avanço da doença. A presença de populações suscetíveis e a circulação simultânea de diferentes sorotipos do vírus também influenciam o surgimento de epidemias.

Vacinação avança lentamente

Para Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp, a oferta de vacina é um ponto positivo, ainda que em ritmo considerado aquém do necessário. Ele lembra que a exposição recente aos sorotipos 1 e 2, durante as epidemias de 2023 e 2024, confere proteção temporária a parte da população.

Evidências científicas

Azevedo integra um estudo publicado em 2024 na revista PLOS Neglected Tropical Diseases que analisou dados de 2008 a 2018 nos 645 municípios paulistas. O trabalho mostrou aumento na incidência de larvas do Aedes em recipientes expostos ao ar livre durante eventos de El Niño.

El Niño deve intensificar risco de dengue no Brasil, com maior alerta para Sul e Sudeste - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Resposta desigual à doença

Barbosa observa que a capacidade de enfrentamento da dengue varia entre as regiões do país, devido a diferenças de recursos, pessoal e infraestrutura. Ele destaca que, quando o diagnóstico é feito nos primeiros dias e o manejo clínico é adequado, o risco de agravamento, internação e morte diminui.

Ações do governo federal

Desde 2024, o Ministério da Saúde mantém uma sala de situação dedicada às mudanças climáticas. A pasta destina R$ 183,5 milhões a tecnologias de controle do vetor, como o método Wolbachia, ovitrampas e liberação de insetos estéreis.

Em fevereiro deste ano, teve início uma estratégia de vacinação com imunizante nacional voltada a profissionais do SUS e pessoas de 15 a 59 anos em Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP). A expansão para outros públicos está prevista para o segundo semestre, dependendo da produção do Instituto Butantan. O SUS também disponibiliza a vacina Qdenga, da Takeda, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Com informações de Folha de S.Paulo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Mais destaques

Posts relacionados