Parcela que responsabiliza Bolsonaro por mortes na Covid recua 21,5 pontos em três anos

A fatia de brasileiros que acredita que uma condução diferente do governo Jair Bolsonaro teria reduzido as mortes por Covid-19 caiu de 62% para 40,5% entre 2023 e 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A pesquisa, realizada pelo Instituto Ideia, ouviu 1.500 pessoas de 26 de fevereiro a 1º de março de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 95% de confiança.

Influência da polarização

Ao serem questionados sobre a atuação do governo federal na pandemia, 40,5% responderam que uma postura diferente salvaria vidas, 28,6% discordaram e 30,9% não souberam opinar. Em 2023, 48,3% afirmavam que haveria “muito menos mortes” e 13,7% “um pouco menos”, enquanto 13% negavam qualquer impacto e 11,5% estavam indecisos.

A divisão política aparece como principal fator: 63,5% dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva concordam que o número de óbitos teria diminuído, índice que cai para 20,8% entre eleitores de Bolsonaro. Entre entrevistados que se definem de esquerda, o percentual chega a 71%; entre os de direita, desce para 15,6%.

Vacinação segue abaixo do histórico

A adesão autodeclarada às campanhas nacionais de vacinação permanece em 72,1%, nível semelhante ao de 2023, porém distante das coberturas próximas a 100% registradas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) antes de 2016. Dos 27,9% restantes, um terço (9,9%) se diz antivacina, outro terço abandonou o calendário após a pandemia e o grupo final reúne indecisos ou indiferentes.

Entre jovens de 16 a 24 anos, a cobertura fica em 62,9%. Na faixa de 25 a 34 anos, atinge 62%, cerca de 16 pontos percentuais abaixo das pessoas com 35 anos ou mais.

Responsabilização perde apoio

O apoio ao julgamento de autoridades por eventuais crimes relacionados à pandemia é majoritário, mas encolheu: 45% defendem a responsabilização, ante 51,5% em 2023. A queda é mais acentuada entre quem ganha a partir de cinco salários mínimos, faixa em que o índice recuou de 58,9% para 34,3%.

Quanto às formas de reparação, 31,1% sugerem a criação de um tribunal especial, 29,7% defendem uma comissão da verdade e 27% apontam indenizações para vítimas e órfãos. Todas as opções registraram retração, sendo a maior na proposta de comissão da verdade, que diminuiu 14,9 pontos percentuais.

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Imagem: Internet

Vacina contra a dengue

A sondagem também mediu a receptividade à vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, disponível no Sistema Único de Saúde desde o início de 2026. Aproximadamente 70% demonstraram intenção favorável: 56,2% querem se vacinar assim que possível e 13,7% consideram o imunizante importante, mas sem prioridade imediata. Outros 25% mostraram hesitação ou indiferença, e 4,8% declararam rejeição total.

Entre pessoas com mais de 60 anos, 62% pretendem tomar a vacina, embora o produto seja recomendado para indivíduos de 12 a 59 anos.

Para os pesquisadores, retomar os índices históricos de cobertura vacinal exige uma comunicação pública ampla, combinando TV, rádio, redes sociais, escolas e unidades básicas de saúde, com foco especial nos jovens que hoje demonstram menor engajamento.

Com informações de Folha de S.Paulo

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