A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de ebola na África como emergência de saúde pública de importância internacional. Apesar do alerta, infectologistas afirmam que a probabilidade de a doença chegar ao Brasil é reduzida neste momento.
Até a manhã de terça-feira, 19 de maio de 2026, a República Democrática do Congo contabilizava 513 casos suspeitos e 131 mortes relacionadas ao vírus.
Plano de contingência ativado
O Ministério da Saúde informou que não há registro de circulação do ebola no Brasil ou nas Américas. Mesmo assim, o país colocou em prática o plano nacional de contingência para febres hemorrágicas virais e aumentou a vigilância, sobretudo entre viajantes que estiveram na República Democrática do Congo ou em Uganda nos últimos 21 dias.
A estratégia prevê detecção precoce de casos suspeitos, notificação imediata, isolamento seguro de pacientes e monitoramento de contatos. Seguindo orientação da OMS, não estão previstas restrições a viagens ou comércio, nem fechamento de fronteiras.
Posicionamento de especialistas
Para a médica Luana Araújo, presidente do Comitê Científico de Saúde Única da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), além da vigilância ativa, é essencial manter “diálogo franco e transparente” com organizações internacionais. Segundo ela, o cenário preocupa porque “pode ser o maior surto desde 2014”, em razão da fragilidade política e socioeconômica da região afetada e do enfraquecimento da OMS após redução de recursos dos Estados Unidos.
Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp, lembra que a OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos intensificaram a vigilância global. Ele destaca que o aumento do fluxo de turistas durante a Copa do Mundo, em junho e julho, não eleva automaticamente o risco de ebola no Brasil, mas recomenda triagem clínica reforçada e rastreamento de contatos de quem veio das zonas de surto.
Sintomas, transmissão e tratamento
Os primeiros sinais do ebola surgem entre dois dias e três semanas após a exposição, com febre alta, dores musculares e de cabeça, seguidos por vômito, diarreia e, em alguns casos, manifestações hemorrágicas. A mortalidade varia de 30% a 80%, dependendo da rapidez do diagnóstico e do suporte médico.
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A principal abordagem é o suporte clínico em UTI. Para a cepa Zaire, há medicamentos aprovados nos Estados Unidos (Inmazeb e Ebanga) que reduzem a mortalidade, além da vacina rVSV-ZEBOV (Ervebo), registrada em mais de 40 países, mas ainda não no Brasil.
A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Não há contágio pelo ar, fator que limita a propagação global.
Com a intensificação das medidas de vigilância e a ausência de casos nas Américas, autoridades e especialistas reforçam que o risco de ebola no Brasil permanece baixo, desde que os protocolos sejam mantidos.
Com informações de Folha de S.Paulo





