Conviver com quem enxerga apenas o lado ruim das situações pode ser desgastante e até contagiar o ambiente. Para evitar que o pessimismo alheio esvazie o “copo meio cheio”, especialistas apontam estratégias de proteção emocional.
Distanciamento emocional é o primeiro passo
A psicóloga clínica e professora universitária Ana Silvia Sanseverino Rennó recomenda não internalizar as queixas do outro. Segundo ela, é preciso lembrar que nem tudo o que se ouve corresponde à realidade e que não há obrigação de concordar com o discurso negativo.
Escuta ativa sem entrar no ciclo de reclamações
Ouvir o desabafo e, em seguida, expressar como a conversa afeta você pode ajudar a quebrar o padrão de lamentações. Perguntas como “Será que há um lado positivo?” ou “Por que tudo parece tão difícil para você?” são sugeridas por Rennó para estimular reflexão sem julgamento.
Mudar o foco quando o clima pesa
Quando o diálogo se transforma em sequência de críticas, a psicóloga Larissa Fonseca, especialista em ansiedade, aconselha encerrar o assunto de forma firme, porém gentil, propondo temas mais leves, como séries ou filmes.
Não tente “consertar” o problema
Fonseca alerta que oferecer soluções pode gerar mais frustração: muitas vezes a pessoa quer apenas desabafar. Se o tom negativo persistir, recomenda-se ouvir “de corpo presente”, sem absorver o peso emocional.
Evite otimismo forçado
Frases motivacionais do tipo “é só respirar fundo” podem aumentar o sentimento de culpa em quem já está fragilizado, destaca Rennó.
Proteja a própria saúde mental
Nos dias em que se sentir vulnerável, mantenha distância dos pessimistas. Quando o contato é inevitável — em casa ou no trabalho —, preencha o restante do dia com atividades prazerosas que recarreguem a energia, como aulas de dança ou encontros com amigos.
Limites não significam falta de afeto
Estabelecer barreiras é sinal de autocuidado, reforça Fonseca. Contudo, quando o convívio provoca ansiedade antecipatória ou sensação de esgotamento após cada encontro, o afastamento definitivo pode ser a melhor saída.
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Quando sugerir ajuda profissional
Negatividade constante pode indicar transtornos como depressão ou ansiedade. Nesse caso, as especialistas sugerem recomendar acompanhamento psicológico.
Possíveis origens do pessimismo
Segundo Rennó, o comportamento pode ser aprendido em ambientes onde predominam visões catastróficas ou resultar de traumas. Em alguns casos, pode ser traço de personalidade — e quem não deseja mudar dificilmente abandonará o padrão.
Apontar o excesso de reclamações, desde que exista vínculo de confiança, pode ajudar no reconhecimento do problema. Muitas vezes, acrescenta Fonseca, esse alerta é mais bem-aceito quando parte de alguém fora do círculo familiar.
As especialistas concluem que cada pessoa deve avaliar seus limites e priorizar a própria saúde mental ao lidar com convívio negativo.
Com informações de Folha de S.Paulo





