Dourados declara calamidade pública por chikungunya e inicia vacinação na segunda-feira

A prefeitura de Dourados, em Mato Grosso do Sul, decretou estado de calamidade em saúde pública devido ao avanço da epidemia de chikungunya no município. O novo decreto, publicado nesta quarta-feira (22), tem validade de 90 dias e segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), responsável pela coordenação das ações de enfrentamento.

Escalada de casos e pressão sobre o sistema de saúde

Segundo a administração municipal, o cenário epidemiológico é considerado crítico. O número de casos prováveis ultrapassou 6.186, com taxa de positividade de 64,9%. A rede hospitalar opera acima da capacidade, registrando ocupação aproximada de 110% nos leitos de internação, o que tem dificultado o atendimento inclusive de pacientes graves.

Antes do decreto de calamidade, o prefeito Marçal Filho havia declarado situação de emergência em saúde pública em 20 de março e, uma semana depois, emergência em defesa civil nas áreas afetadas.

Início da vacinação

A campanha de imunização contra a chikungunya começa na próxima segunda-feira (27). O primeiro lote de doses chegou na noite de sexta-feira (17). Nos dias 22 e 23 de abril, profissionais de enfermagem serão capacitados para orientar a população sobre restrições e identificar comorbidades antes da aplicação.

Conforme as regras do Ministério da Saúde, a vacina será oferecida apenas a pessoas de 18 a 59 anos. A meta é alcançar pelo menos 27% desse público, o que representa cerca de 43 mil moradores.

Quem não pode receber a dose

Entre as contraindicações estão: gestantes, lactantes, usuários de imunossupressores em altas doses, pessoas com imunodeficiência congênita, em tratamento oncológico, transplantados de órgão sólido ou medula óssea (há menos de dois anos), pacientes com HIV/aids, portadores de doenças autoimunes e indivíduos com duas ou mais condições crônicas — como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática ou câncer.

Também não poderão ser vacinados quem teve chikungunya nos últimos 30 dias, quem apresenta febre alta, quem recebeu vacina de vírus atenuado em até 28 dias ou de vírus inativado em até 14 dias.

Logística da campanha

Os imunizantes serão distribuídos a todas as salas de vacinação, inclusive às unidades de saúde indígena, na sexta-feira (24). Para 1º de maio, feriado do Dia do Trabalho, está programada ação em sistema drive-thru, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.

Números da doença

Até 20 de abril, o município registrava 4.972 casos prováveis, 2.074 confirmações, 1.212 descartes e 2.900 notificações em investigação. Oito óbitos foram confirmados, sendo sete entre moradores da Reserva Indígena de Dourados.

Apoio federal e histórico da vacina

No fim de março, o Ministério da Saúde liberou R$ 900 mil em parcela única para ações de vigilância, assistência e controle do vetor Aedes aegypti no município.

A vacina contra a chikungunya recebeu aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 e está sendo introduzida de forma estratégica em cerca de 20 cidades de seis estados, escolhidas por fatores epidemiológicos, tamanho populacional e capacidade operacional.

Com informações de Agência Brasil

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