Reserva de céu escuro no Texas vira laboratório para investigação da energia escura

A maior reserva de céu escuro do planeta, localizada na região de Big Bend, no oeste do Texas (EUA), transformou-se em ponto estratégico para uma equipe internacional que busca compreender a energia escura e o futuro de um Universo com quase 14 bilhões de anos.

Observatório McDonald é a base do projeto HETDEX

Entre 2017 e 2024, pesquisadores ligados ao Experimento de Energia Escura do Telescópio Hobby-Eberly (HETDEX) coletaram dados no Observatório McDonald, em Fort Davis. Liderado pelo astrônomo Karl Gebhardt, da Universidade do Texas em Austin, o grupo mapeou galáxias localizadas de 10 bilhões a 12 bilhões de anos-luz da Terra, distância nunca antes alcançada em levantamentos sobre energia escura.

O Telescópio Hobby-Eberly reúne 91 espelhos hexagonais e envia a luz captada a um conjunto de espectrógrafos por meio de dezenas de milhares de cabos de fibras ópticas. O sistema permite separar a luz em diferentes comprimentos de onda e medir a posição e a profundidade de cada galáxia, criando um mapa tridimensional do Universo primordial.

Céu escuro é requisito científico

Os alvos do HETDEX são tão tênues que poucas centenas de fótons chegam ao telescópio; por isso, as observações ocorreram apenas em noites sem Lua. Segundo Taft Armandroff, diretor do observatório, Big Bend oferece “alguns dos céus mais escuros do continente”, fator considerado decisivo para o projeto.

Primeiros resultados saem ainda em 2026

Com a fase de observações concluída há dois verões, o time analisa os dados finais e promete divulgar a primeira medição da energia escura no Universo primitivo ainda este ano. Gebhardt afirmou estar “mais animado do que nunca” com a perspectiva de ampliar o mapeamento para todo o céu noturno futuramente.

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Imagem: Internet

Turismo astronômico e defesa do céu escuro

Além da pesquisa, o observatório promove regularmente as chamadas “festas das estrelas”. Somente em uma sexta-feira recente, quase 400 pessoas se inscreveram para observar constelações como Órion e Ursa Maior durante a Semana Internacional do Céu Escuro, iniciativa que reforça o combate à poluição luminosa na região.

Com informações de Folha de S.Paulo

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