Um estudo divulgado na revista científica Vaccine: X identificou que a principal razão para a hesitação vacinal de milhões de brasileiros em 2021 foi a fidelidade política ao então presidente Jair Bolsonaro. A investigação analisou entrevistas de mais de 2.000 pessoas realizadas no auge da campanha de imunização contra a Covid-19.
Grau de apoio ao presidente influenciou vacinação
Entre os entrevistados que declararam votar exclusivamente em Bolsonaro, a taxa de vacinação chegou a 65%. Já entre eleitores dispostos a considerar outros nomes do campo conservador, o índice subiu para 71%. O resultado indica que quanto maior a lealdade ao ex-chefe do Executivo, menor foi a adesão à vacina.
Técnicas de machine learning para identificar padrões
Os pesquisadores aplicaram métodos de machine learning para diferenciar perfis de pessoas vacinadas e não vacinadas. Os algoritmos apontaram um “ecossistema” de crenças falsas: quem confiava na eficácia do chamado “kit Covid” também tendia a acreditar que o imunizante alterava o DNA, implantava microchips ou provocava doenças graves, como câncer e HIV.
Recorte sociodemográfico
Religião: evangélicos apresentaram a maior resistência (40%), quase o dobro dos católicos (22%) e acima de ateus (36%) e agnósticos (34%).
Faixa etária: jovens de 16 a 28 anos registraram 36% de hesitação; a recusa caiu para 23% entre pessoas com mais de 54 anos.
Escolaridade: 32% das pessoas com ensino fundamental completo rejeitaram a vacina, ante 22% dos que cursaram universidade. Entre analfabetos, a recusa ficou em 21%, possivelmente devido à atuação constante de agentes comunitários de saúde.
Imagem: Internet
Renda: a maior resistência (30%) ocorreu entre quem recebia até um salário mínimo. Nos estratos mais altos, a hesitação ficou em torno de 23%.
Implicações para campanhas de imunização
Os autores defendem que estratégias de comunicação sobre vacinas considerem o viés político, além da divulgação de evidências científicas. A metodologia utilizada foi tornada pública para que outros países avaliem a influência de fatores políticos na hesitação vacinal.
O trabalho foi conduzido pelos pesquisadores Sylvia Iasulaitis, Alan Demétrius Baria Valejo e Leonardo Ribeiro dos Santos, vinculados a instituições como UFSCar, USP e Unicamp.
Com informações de Folha de S.Paulo





